10/06/14

comemorar outra coisa que não a apagada e vil tristeza.

Alguns (felizmente, poucos) apoiantes de A.J. Seguro para candidato a candidato a PM pelo PS desdobram-se (lá onde as coisas parecem menos públicas, por exemplo no Facebook) em ataques a António Costa enquanto presidente da câmara de Lisboa. Por aquelas coisas que, na prática – a quem faz – podem correr mal, às vezes correm mal e, sendo o caso, têm de ser corrigidas. Por exemplo, o lixo. Os problemas actuais com a recolha do lixo, que decorrem principalmente (e, creio, transitoriamente) de uma reforma administrativa profunda e que foi feita em Lisboa com uma dose de concertação muito superior ao que o governo foi capaz no país. Notamos, assim, em que tipo de acção política estão dispostos a embarcar alguns socialistas – precisamente do lado daqueles que gritam “deslealdade” e “traição” contra vozes que falam mais alto do que o aceno concordante de cabeças frente à majestade do chefe. O tom está dado para uma campanha que, tudo o indica do lado dos que “não se demitem”, será guiada por dois instintos: “quem não está por mim, está contra mim” e “se não é para nós, não será para ninguém” (também conhecido como a estratégia da terra queimada).
Isto tem para o PS custos evidentes – custos que só parece não ver quem, por outro lado, argumenta com o malefício de uma verdadeira discussão política antes de partir para a próxima fase da corrida rumo às próximas eleições legislativas. Mas tem, também, outros custos para o PS, especialmente se o escolhido para candidato a PM fosse AJS: é que todo este criticismo agudo às funções de governação de António Costa evidencia que nem todos podem, como ele, ser escrutinados pelo exercício de funções executivas relevantes para a vida de milhões de portugueses. O que, está à vista, dado o estado do país, é crucial para quem pretenda mobilizar uma vasta maioria de governo, com base política e social alargada e sólida – e não condenar o PS a ser apenas mais uma peça na continuação da “apagada e vil tristeza” a que alguns nos querem resignados e obedientes.

1 comentário:

Jaime Santos disse...

Não sei a quem se refere em concreto mas eu estou ainda mais esclarecido relativamente à liderança de AJS pelas duas peças sobre Álvaro Beleza que li. No artigo de opinião do Público, Beleza diz coisas acertadas, com que concordo: sobre a necessidade de reduzir as subvenções do Estado aos privados e o combate aos lobbies, de uma lei de incompatibilidade para os Deputados, de aproximar eleitores e eleitos. E acho que em alguns casos, não se trata só de um imperativo ético, trata-se de poupar dinheiro aos contribuintes. As coisas azedam quando depois tenta colar Costa ao campo contrário, sem coragem de substanciar as acusações. Dir-se-ia que estaríamos conversados. Infelizmente não, veja-se a referência inqualificável a Mário Soares (e eu sou insuspeito de falar, já que acho que discordo na maioria da vezes de MS) na entrevista ao i de 7 de Junho... E este senhor diz-se amigo de Soares?