Leio "Soneto dos anjos bruscos (e de por que te procuro)" na sessão de apresentação do meu livro "Monstros Antigos" (poesia).
A BICA FECHOU
Há 7 horas
«At a Guardian event last June in which he [António Guterres] debated with rivals for the secretary general job, he said her [his first wife] psychoanalytical insights were highly valuable. “She taught me something that was extremely useful for all my political activities. When two people are together, they are not two but six. What each one is, what each one thinks he or she is and what each one thinks the other is,” he said.»
The Guardian, 1/1/2017
No debate da passada quinta-feira, na TVI24, disse a Nuno Melo que, tirando a sua perseguição a Vítor Constâncio, não se lhe conhecia nenhuma intervenção - nem antes nem depois do BPN - sobre o reforço/alteração dos poderes de supervisão bancária. Melo disse que bastava ter falado com Elisa Ferreira, eurodeputada do PS, para saber que essa acusação era falsa. Pois bem, Elisa Ferreira escreve hoje um texto em que desmente Melo. Independentemente deste texto, mesmo que Melo tivesse dito a verdade, as suas emendas no relatório da eurodeputada Elisa Ferreira não têm nada a ver com os poderes/instrumentos de supervisão, mas sim com a protecção dada a depositantes no caso de "bail-in". Ou seja, não só Melo mentiu (coisa que fez abundantemente nesse debate), como, mesmo que não tivesse mentido, a sua resposta teria sido ao lado da crítica que lhe fiz, e que se mantém inteiramente válida: tirando a perseguição demagógica, populista e fraudulenta a Vitor Constancio, Nuno Melo não tem nem nunca teve qualquer interesse na matéria da supervisão bancária.
Nuno Melo num debate com João Galamba na TVI24 no passado dia 3 de Abril (mais uma vez sobre as alegadas culpas do Supervisor no caso de polícia que foi o BPN), depois de ter esgotado os argumentos habituais, aventurou-se a desvendar que “as únicas propostas apresentadas em matéria de resolução bancária para se protegerem os depósitos dos clientes dos bancos são minhas”, deixando implícito que, se alguma coisa lá figura nesse sentido, a ele se deve. Tenho de o desmentir: Nuno Melo fez de facto algumas emendas no sentido de proteger todos os depósitos bancários em processos de resolução; só que todas elas caíram, chumbadas sem apelo nem agravo pelo seu próprio grupo político (PPE); a proteção aos depósitos que hoje existe no texto legislativo foi a que os membros socialistas conseguiram fazer passar! Convém não abusar da imaginação quando se fala para fins internos...
Gostaria de não ter que me referir ao actual presidente da Comissão, o português Durão Barroso. O que tenho a dizer custa-me. Votei nele em 2009, integrando uma maioria qualificada, ao lado dos colegas de Espanha e da quase totalidade dos Portugueses. Cumpri orientações da delegação, vindas de José Sócrates, contrárias às do grupo europeu dos Socialistas e Democratas. Em circunstâncias normais deveria sentir orgulho por ter um Português na presidência da Comissão. Infelizmente não me ocorre esse sentimento. Uma gestão apagada que deixou a Comissão perder força e influência. Um comportamento errático, mudando constantemente de opinião. Uma retórica feita de compromissos e marcada pela cor do auditório, com vista a gerar aplauso fácil, em qualquer circunstância. A negação imediata do que afirmara, sempre que recolhia hostilidade dos grandes. Um comportamento de Pilatos, quando as coisas corriam mal, atirando culpas para os Estados Membros. Uma completa ausência de grandeza, sujeitando-se ao papel de marionete dos grandes, parecendo aceitar a capitis diminutio como um facto normal para um originário de pequeno-médio País. Em momento algum o orgulho de português subiu em mim e em muitos momentos lamentei que um compatriota se prestasse ao que ele se prestou. À pergunta do meu colega Rangel sobre se seria melhor termos um presidente alemão respondo sim, sem pestanejar, ao menos saberíamos sempre com que se contava. Na contabilidade de vantagens e inconvenientes ficam pequenos ganhos de mercearia: alguns lugares de direcção ou de representação que vieram parar a Portugal, na maioria esmagadora destinados a gente da direita. Um acesso porventura mais fácil aos serviços da Comissão, por parte das autoridades nacionais, usado e abusado já por este governo, a quem Durão teve que ensinar tudo sobre os fundos, sobretudo na primeira fase. E pouco mais.