06/11/13

Barroso critica Passos em público.


Chumbo do TC pode pôr em risco regresso aos mercados, diz Barroso. Mas acrescenta que nunca criticou o Tribunal Constitucional.

Durão Barroso diz que o chumbo do Orçamento pelo Tribunal Constitucional pode fazer perigar o regresso de Portugal aos mercados.
Mas, agora, acrescenta que isso não era uma crítica ao Tribunal Constitucional. Sublinha, mesmo, que nunca criticaria qualquer tribunal.
Então, só pode estar a criticar um governo que não é capaz de fazer nenhum Orçamento de Estado sem ilegalidades (inconstitucionalidades).

Se até já Durão Barroso critica o nosso governo, onde vamos parar ?

6 comentários:

Anónimo disse...

É mesmo isso, mas por momentos pensei que a crítica fosse dirigida ao TC.

Afinal, equivoquei-me, o Durão tem esta característica: onde cai uma bomba, e continuam a cair e a cair, o mundo está melhor.

Deve ser um homem muito inteligente.

O Eng. António Guterres que o diga.

Porfirio Silva disse...

Como é sabido, a ironia não se explica.

Rigolo disse...

Ainda bem que põe em perigo. Haja alguém que nos salve de voltar ao despesismo!


Voltar aos "mercados" significaria, inevitávelmente, mais dívida e mais juros. Logo, ainda mais dívida!

Regresso aos "mercados", nunca, camaradas!

Como todos sabemos, as dívidas dos Países não se gerem, pagam-se.

Francisco Clamote disse...

De facto, Porfírio, a ironia não se explica. E quando fina, como é o caso, também não é fácil dar com ela.

Porfirio Silva disse...

Francisco, tens toda a razão. Com a ironia, quanto mais nos aproximamos da fronteira, mais nos arriscamos a falhar o alvo. Por algumas reacções que tive, é provável que tenha sido este o caso... (Paciência: Ninguém é perfeito - e eu não quero ser ninguém.)

Porfirio Silva disse...

(deixo aqui um comentário que escrevi no Facebook, porque ele ajuda a enquadrar este post)


AS IRONIAS DA IRONIA

A ironia é muito perigosa. Ou tem uma chave de leitura escancarada, fácil de capturar à primeira vista, que diz como "tresler" o texto - caso em que deixa de ser ironia; ou é tão subtil mas tão subtil que deixa de ter chave de leitura acessível - e pode tornar-se duvidoso que seja mesmo ironia.

Já, noutros contextos, "teorizei" sobre isto, defendendo que uma ironia tem sempre de deixar uma qualquer chave de leitura, que, não sendo imediata ou fácil de descobrir, está lá e pode ser explicada, defendida: deve poder-se, sempre, apontar para o rabo que o gato deixou de fora e explicitar como é que a chave explica o modo como a ironia virou o texto do avesso. Caso contrário, torna-se indefensável como ironia.

Desta vez talvez eu me tenha deixado enredar na minha própria ironia.

O meu post de ontem sobre a mais recente pirueta de Barroso (link abaixo) era para ser irónico - mas não foi assim entendido por toda a gente. O que eu pretendia que fosse "a chave" (Barroso criticar Passos em público), aparentemente foi lido como sendo mesmo a minha opinião sobre o caso. Para mim, essa frase era para funcionar como a chave porque, no meu entender, Barroso nunca criticaria o "seu" governo de Portugal, o governo com que ele tem de facto um caso. Se isso fosse lido como chave da ironia, seria claro que eu estava a tentar expor as piruetas verbais de Barroso - e o seu habitual descaramento. Acho que não funcionou e nem todos assim entenderam.

É assim: a ironia é um exercício arriscado. Contava, neste caso, com o pano de fundo da compreensão dos meus leitores habituais, que sabem o que acho tanto de PPC como de Barroso - o que, achava eu, garantia que seria percebido que eu estava a reinar com essas criaturas. Visto agora, acho que me saiu mal. Paciência. Ninguém é perfeito - e que não quero ser ninguém.

(Agradeço ao Francisco Clamote, ao Luis Novaes Tito e à Isabel Pereira Dos Santos, que foram aqueles que, de maneiras completamente diferentes, me fizeram pensar que podia haver um problema de interpretação no meu post.)