20/07/13

o PS de que o país precisa.


O PS, sob a direcção de Seguro, aguentou a pressão e não assinou nenhum acordo de salvação do PSD e do CDS. Bastou-lhe, para isso, reafirmar o que tem vindo a propor, quer institucionalmente quer em público. Que a maioria governamental não tenha tido rins para pegar nas propostas do PS tem um significado: queriam o PS apenas para muleta. Não espanta. A forma como Seguro comunicou ao país a situação foi (apenas li, não ouvi a comunicação) equilibrada e convicta. O PS teve a sabedoria táctica para, no período de negociação, não deixar estabilizar nenhuma antevisão do que faria afinal: deu, assim, credibilidade à sua rejeição do acordo, porque fez crer que, fosse outra a posição das outras partes negociais, poderia ter assinado.

Fico, agora, à espera dos que fizeram previsões catastróficas. Dos que previram que o PS não votaria a moção de censura dos melancias (votou). Dos que previram que o PS entregaria o ouro ao bandido a pretexto da "salvação nacional" (não entregou). Refiro-me, não tanto aos comentadores, mas aos partidos políticos que já ensaiavam nova manobra da coligação negativa com os partidos da direita. Esses, se tivessem alguma decência política, não entrariam agora em discursos de encobrimento. Encobrimento de quê, perguntarão. Infelizmente, a esquerda da esquerda vai agora entrar em tentativa de encobrimento de que desejaram ver o PS nos braços da direita, porque só isso os salvaria do que mais temem: ver o PS assumir o seu papel de alternativa.

Tudo isto, para mim, não significa que o PS esteja já em condições de ser essa alternativa. Tem de fazer mais. Visar mais longe. Lutar para merecer uma base social de apoio alargada. E, além do mais, aprofundar o espaço de convergência interna para se abalançar às lutas nacionais, como opinei anteriormente.

6 comentários:

Anónimo disse...

Olá, Porfírio: Revejo-me no conteúdo dessa posta. Muito mais do que nas opiniões enviesadas, minadas e condicionadas da cambada de comentadores requisitados a jeito logo após a declaração do sr. Tozé.
Aliás, basta ouvi-los (principalmente o mui geronte gerente da edp) para me dar ganas de emigrar, nem que seja para um ilhéu do tamanho de um pêssego. Grrrrrrrrrrrr!

Dri

Porfirio Silva disse...

Dri,

Felizmente, enquanto estou aqui pelo Japão, estou a dormir quando esses comentadores palram...

Ricardo Amaral disse...

Eu tenho para mim que enquanto o PS e sr Seguro não explicar como é que vai arranjar financiamento para a despesa do estado(o pib continua a cair e mesmo que cresça a despesa actual exige venda de dívida)sem mais austeridade imposta pela comissão,pelo BCE e sra Merkel eu não vou dar o meu voto ao PS.Quanto a estes do governo actual estamos conversados,pois só governam para a troika ou voltar aos mercados agiotas.

Jaime Santos disse...

Não vi ainda ninguém no PS fazer a pergunta que mais interessa: o que é que acontece se Portugal tentar renegociar o memorando (como também defende pelos vistos o CDS) e a troika disser que nâo? Será que um futuro governo PS (a curto prazo, já que não me parece que o Governo aguente 2 anos depois desta crise), vai então fazer os cortes e despedimentos que agora rejeita (levando o partido pelo caminho do PASOK)? Que alternativas nos restam? Renegociação da dívida? Eventual saída do Euro (por referendo)? A posição de Seguro na sua entrevista de ontem à SIC-N foi cordata, mas não se afastou um segundo da mensagem. E, no que diz respeito à reforma do Estado, o que é que o PS vai fazer? Será que tem coragem de assumir uma reforma da administração pública que acabe com a partidocracia, no Governo Central, empresas públicas e autarquias? Será que vai reabilitar a capacidade dessa mesma adminsitração produzir informação e legislação sem depender das consultorias privadas, com os escritórios de advogados à cabeça, e que tanto custam ao erário público? A recuperação da Soberania também passa por isso, ou seja pôr o Estado ao serviço de todos e não só para alguns...

Porfirio Silva disse...

Algumas das questões que Jaime Santos suscita são cruciais. Eu tenderia a dizer que, contra a sua opinião em outros comentários, é preciso que entrem forças "anti-sistema" para o governo para quebrar o feitiço de "solidariedades" (cumplicidades) que tem impedido que certos vícios sejam eficazmente combatidos.

Jaime Santos disse...

Porfírio, eu não rejetaria a entrada de uma 'Esquerda Radical' num projeto de Governo. O problema da nossa Esquerda da Esquerda é que ela não é radical coisa nenhuma, no sentido de representar algo de fundamental. Como as tentativas recentes de entalar o PS com a moção de censura dos Melancias (o termo é seu) bem demonstraram, para essa Esquerda (sobretudo o PCP, mas também o BE, infelizmente, porque aí existem pessoas razoáveis), o PS é o principal inimigo, e não a Direita (o mesmo se passou com a rejeição do PEC IV, e vezes sem conta antes, com as coligações negativas). E quem beneficia desta guerrilha fraticida é essa mesma Direita.
E nem vou falar da atitude arrogante desta Esquerda em relação à 'Democracia Burguesa', até porque já o fiz noutros comentários. Explique-me como se estende um ramo de oliveira a esta gente... Depois, não os vejo de todo a agitar as águas e a produzir pensamento no sentido da racionalização do Estado (Deus os livre de incomodar as suas clientelas sindicais, em particular o PCP), do financiamento dos serviços públicos por outros meios (taxa de carbono para subsidiar o transporte público por exemplo, porque isso implica incomodar os condutores, esses representantes do operariado), ou no sentido de restaurar a soberania do Estado através de um recrutamento para a administração pública com base na capacidade técnica (porque impera o populismo dos baixos salários). A sua única desculpa é que o PS também não o faz, pois...