29/06/13

dêem mais dois anos a Barroso e ele será tão amado no mundo como Cavaco em Portugal.



Steve Bell, no The Guardian

Declarações de Durão Barroso:

"Vamos ser muito claros. As soluções para os problemas não estão nestas reuniões do Conselho Europeu e não se deve ter expectativas exageradas em relação ao Conselho Europeu, nem em relação à União Europeia. O essencial da resposta está ao nível nacional."

Segundo o Expresso,
Para Barroso "não se deve pedir ao nível europeu aquilo que o nível europeu não tem meios para dar", sublinhando que as políticas sociais, de emprego, a educação e a legislação laboral são "responsabilidade dos países" e que aquilo que se pode fazer ao nível da União é "encontrar alguns instrumentos complementares".

Quer dizer: as políticas sociais?! Não temos nada a ver com isso! "Coisas" financeiras e afins, sim senhor, aí nós somos os polícias; agora, o social... o social está fora de moda... Já houve tempo em que "a Europa" foi essencial no progresso social, mas isso agora não interessa nada.

Aquelas palavras passa-culpas são declarações do presidente da Comissão Europeia, supostamente aquele órgão da arquitectura institucional da UE que devia promover o interesse comum; precisamente aquilo que, atendendo ao futuro, ultrapassa o interesse específico no momento actual de cada Estado-Membro. Um homem que, depois de tanto se mexer na cadeira, perdeu de facto toda a credibilidade junto dos líderes com mais força na UE e perdeu o genuíno respeito de toda a gente. Não foi capaz de reforçar o papel da Comissão na União (bem pelo contrário, o seu trocatintismo e cobardia descredibilizaram-no), nem foi capaz de reforçar os meios da União para cumprir as suas tarefas (bem pelo contrário) e agora desculpa-se com a falta de meios.

Uma das principais "faltas de meios" da UE é ter um presidente da Comissão que tem uma estratégia para a sua carreira pessoal (e nota-se, basta analisar com algum cuidado a colocação de peões por todo o mundo), mas não tem ideia nenhuma do que deveria o ocupante do seu cargo fazer para melhorar o estado da União. Agora que se soltaram as línguas (apesar da complacência da maioria dos socialistas nas instituições europeias), é apenas uma questão de tempo: dêem mais dois anos a Barroso e ele será tão amado no mundo como Cavaco em Portugal.

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