14/04/13

assim se vê a força do PS ?


António José Seguro reeleito secretário-geral do PS com 96% dos votos.

AJS assim o quis: aparentemente, aqui há meses, assustou-se com a ideia de haver um congresso do PS mais disputado, com a liderança em causa. Foi tal o susto que montou um drama, no qual mandou os seus próximos acusar de deslealdade aqueles que, supostamente (crime de lesa SG!), quereriam disputar a eleição. António Costa fez o que ele queria: sentou-se à mesa e, por umas quantas linhas na moção de orientação, calou-se. Seguro tem agora a unanimidade eleitoral que procurou. Entretanto, já andou a pedir eleições antecipadas e já se voltou a esquecer disso. Hoje, com a notícia de uma eleição esmagadora do actual SG como próximo SG, cabe perguntar: o que diabo levou Seguro a pensar que seria melhor para o PS uma eleição e um congresso sem história e sem espinhas?
Por que será que a maioria dos políticos portugueses adoram águas paradas em sua própria casa?
Infelizmente, há neste país muita gente a quem as dificuldades do debate democrático parecem muito inconvenientes - em vez de aí reconhecerem a única seiva que pode manter viva a árvore.

5 comentários:

Anónimo disse...

Porfírio: hoje ouvi esse senhor a falar na tv e, talvez porque sou piegas, deu-me pena. Pareceu-me muito inseguro, afogueado e com um risinho nervoso. Mau augúrio.

Dri

Jaime Santos disse...

Pois Porfírio, mas as maiorias norte-coreanas no PS não são de hoje: já Guterres e Sócrates foram reeleitos com percentagens próximas dessas, se bem me lembro. Isto para que não diga que estou sempre a malhar só em Sócrates :-). E, neste caso, o mal foi mais da oposição interna a Seguro que não se assumiu como tal. Infelizmente, aqui como em casos anteriores, há apenas um ou outro militante de base que se assume como alternativa, em gesto quixotesco...

Porfirio Silva disse...

Jaime, as votações (não as maiorias) norte-coreanas não me afligem nada: já escrevi que, em certos momentos, isso faz todo o sentido (não estamos sempre a exercitar todos os músculos disponíveis). O ponto está em saber se este ou aquele momento precisa disso ou precisa de debate. As actuais circunstâncias do país , a meu ver, aconselhariam mais debate e menos ritual.

Jaime Santos disse...

No último congresso de Sócrates, este foi reeleito com uma maioria esmagadora de votos. Tratava-se, bem entendido, de tocar a reunir antes de eleições que se sabiam difíceis senão impossíveis de ganhar. Aí Seguro, que todos sabiam ser oposição interna, não se assumiu como crítico. Passados uns meses, o PS deitava fora a herança de Sócrates sem fazer um 'post-mortem' da mesma, elegendo Seguro por uma maioria muito confortável, como puro exemplo do adágio 'Rei Morto, Rei Posto'. A ausência deste exercício de análise tem perseguido o PS até hoje, também porque se deitou fora o bebé com a água do banho. Agora, o PS elege Seguro com outra votação esmagadora. Eu não gosto particularmente de Seguro, mas a verdade é que a culpa não é só dele. Para haver debate (inclusive sobre os erros do passado), têm que existir pessoas (refiro-me claro a Costa, ou a Silva Pereira, por exemplo) que deem a cara e o promovam, já que parece que a militância de base só serve para sufragar líderes que (se espera) ganhem eleições...

Porfirio Silva disse...

Caro Jaime Santos, estou no essencial de acordo, mas não aprofundo mais, por já ter aqui escrito algumas vezes sobre vários desses aspectos. A única coisa é que, mesmo sobre erros cometidos, é preciso avançar. O ponto é saber em que direcção...