05/04/13

a distância entre as palavras e as imagens.


Tenho sempre muito cuidado em não embarcar nas estratégias puritanas de usar temas progressistas para esconder o desejo de controlo dos comportamentos das pessoas em sociedade. Paternalismos. Lembro-me de, há pouco tempo, o Parlamento Europeu quase ter aprovado disposições censórias sob a capa de defesa das mulheres (claro, com a pornografia pelo meio).
Isto vem a propósito de um caso concreto. Leio que um vídeo de promoção da Louis Vuitton foi acusado de dar uma "visão glamorosa” da prostituição. Ao ler o texto pensei: "pronto, lá vem a conversa do costume: umas maminhas à mostra e já cai o Carmo e a Trindade da objectificação da mulher". Depois fui ver o vídeo (que deixo abaixo). E, na realidade, achei que havia uma sugestão de prostituição de rua, uma ideia de que as belas mulheres da moda andam por aí nas ruas a abordar os carros e os transeuntes e que isso é bonito. Ou que, ao invés, as mulheres que andam por aí na rua a abordar carros o fazem por desejo exibicionista.
Claro que eu ter percepcionado a coisa deste maneira não é um argumento, é apenas uma sensação. Pergunto: qual dos dois lados das minhas reacções está certo e qual está errado? Estou interessado nas vossas opiniões (especialmente nas opiniões de quem NÃO acha que não existe questão nenhuma aqui).



2 comentários:

Anónimo disse...

Porfírio: acontece que a prostituição, efectiva ou artisticamente sugerida como no vídeo, me deixa sempre grande incómodo.
Sendo eu mulher e amiga de e das mulheres (acredito eu) suspeito que as suas duas sensações estejam certas.
Sendo as modelos de topo olhadas como deusas inacessíveis, terá alguém achado que exibí-las tão primariamente as aproximariam do consumidor? Não sei. Estou só a pensar com a cabeça dos dedos indicadores.

Fique bem. Dri

Porfirio Silva disse...

Pois, Dri, quando duas sensações nossas correm em sentidos opostos, ficamos um bocadinho estranhados. É o caso.