25/03/13

o CDS sabe pedir.



O grande título de hoje do Público é, outra vez, sobre a biografia de um partido que gostaria de ser o que não é e de parecer o que ninguém o deixa ser.

Há uma alínea do acordo de coligação entre PSD e CDS que reza assim: "O PSD tem de arranjar maneira de dar satisfação a alguns divertimentos do CDS que resultem da necessidade de este partido fazer de conta que tem uma valia própria no seio do governo." Esta clásula, se não existe preto no branco, deve existir em algum acordo de cavalheiros. E o CDS exercita essa faculdade com absoluta falta de pudor: tem os seus ministros no governo, onde se aprovam as políticas, mas vai para o Largo do Caldas dizer que o governo devia ir por acolá e não por acoli. E diz isso no Largo do Caldas na presença dos seus ministros e secretários de Estado - que, claro, podiam tratar de dizer isso mesmo no próprio governo.

Desta vez, parece que pedem a remoção de dois ministros: Relvas e Álvaro. Parece que Relvas coordena pouco. É mentira: ele coordena mais do que ninguém. Há mesmo quem diga que, querendo que alguma coisa "de todos os dias" se decida no governo, é preciso ligar a Relvas para desempatar. Relvas tornou-se foi inconveniente, porque está demasiado à vontade a fazer aquilo que todos os outros membros do governo querem que ele faça. Tornou-se inconveniente porque derrama o chá, mostrando que está pouco habituado a chá. Por outro lado, parece que Álvaro não trata da economia. Não trata ele nem tratará nenhum que Gaspar, assessorado por Passos, trate de minimizar à partida. Gaspar e Passos cedo trataram de explicar ao mundo que Álvaro não mandava nada e ainda era gozado por cima (lembram-se do episódio "qual foi a parte que não percebeu" soprado cá para fora?). Enquanto isso for assim, Álvaro 1 ou Álvaro 2, tanto faz. Em resumo: o que o CDS "pediu" é nada. E, decerto, como é nada, vai tê-lo. Trata-se, mão que pede e mão que dá, de "uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma".

E, quem sabe, agora que o PS anunciou uma moção de censura para depois da Páscoa, talvez o pedido do CDS até venha a calhar para fazer uma remodelação que atrapalhe um pouco a moção do PS. Como se a moção de censura pudesse ser respondida por nada ou coisa nenhuma.

(O assunto do salário mínimo é diferente: o CDS, por incrível que pareça, é menos ideológico do que o PSD; por isso, sabendo que isso só custa dinheiro aos privados, e não acreditando que menos uns euros em cada ordenado muito baixo faça qualquer diferença à competitividade, não vê razão para esta batalha e quer virar a página. O CDS, aliás, já tinha mostrado essa inteligência quando estava na oposição.)

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