12/02/13

América, Alemanha... e nós.


A edição americana da prestigiada revista (de divulgação) científica Scientific American publicou um artigo intitulado "The U.S. Could Learn from Germany’s High-Tech Manufacturing". Em poucas palavras, diremos que apresenta a seguinte tese: a Alemanha deve a sua robusta economia dos últimos anos, em parte, ao sucesso de seu sector industrial, desde materiais básicos a equipamento industrial. E a razão da sua competitividade, mesmo em comparação com as indústrias que dispõem de mão de obra mais barata na Ásia e em outras partes do mundo, é o bom uso das novas tecnologias.
O que queria era chamar a vossa atenção para dois comentários em linha, que traduzo tosca e livremente:
Gostaria de ver uma comparação das formações dos CEOs das empresas industriais alemãs com as dos CEOs das empresas similares nos Estados Unidos. Suspeito que nós (EUA) temos mais "gestores" e eles têm mais gente com formação em ciência e engenharia. Também seria interessante comparar os salários dos CEOs alemães e norte-americanos, expressos em múltiplos do menor salário nas respectivas fábricas.
Estou convencido de que o declínio da indústria americana começou com o aumento do número de MBAs a gerir as nossas empresas. Antes, a alta administração realmente entendia os produtos que tinha investigado e produzido. Agora, tudo é apenas números. Tornámo-nos uma nação de empresas virtuais. Produtos baratos, mas que rapidamente deixarão de ter interesse a qualquer preço.

Então... e por cá?

1 comentário:

coraçãodemaçã disse...

Porfírio, é o que dá ter-se renegado o "saber de experiência feito".
Parece que alguém anda a triar o passado, a reciclar o que foi deitado fora como entulho.
Deixe-me referir que há uma cultura implicita subjacente a qual "impõe" aos licenciados, pelo menos no nosso país, que se devem sentir diminuídos se começarem por baixo e ascenderem pelo mérito demonstrado.
Lembro-me de ouvir na antena 1 um operário do ramo automóvel a trabalhar na Alemanha a
tocar exactamente nesse ponto. Dizia ele, operário qualificado, que trabalhava lado a lado com muitos engenheiros e que estes faziam o mesmo trabalho que ele. Sem peneiras idiotas. E criticava por não se ver esse tipo de atitude entre nós.
O lastro é pesado...

Dri