20/12/12

garotadas na cultura.


Richard Westall, A Espada de Dâmocles (1812)

As reacções à demissão em bloco do conselho de administração da Casa da Música, motivada pelos cortes orçamentais impostos à instituição, vêm de vários quadrantes e são unânimes no receio de que possa vir a ser posto em causa um projecto cuja relevância ninguém questiona.

Esta gente que de momento ocupa o governo do país usa, como martelo-pilão para deitar tudo abaixo, a ideia de que o Estado deve ser abstinente. Mas, entretanto, sempre que pode, usa qualquer pequeno poder estatal a que possa chegar para estragar a obra alheia, para desperdiçar o esforço acumulado e sedimentado pelo tempo e pelo empenho dos outros. Não se trata já apenas de desrespeitar os compromissos de anteriores governos; trata-se de, sem mudar de governo, um qualquer secretário de Estado chegar e atirar às urtigas o que disse há minutos o anterior secretário de Estado do mesmo governo, do mesmo (primeiro-) ministro, com o mesmo programa (ou falta dele). Usam o Estado como o seu brinquedo, os tostões que têm em gaveta como espada da Dâmocles a pesar sobre qualquer coisa que ainda mexa. Fazem tudo para nos convencer dos malefícios do Estado: os malefícios do Estado quando tomam eles conta dos cordelinhos.

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