21/08/12

por que faz o Público censura?


Os leitores têm o direito de saber: se o Público deixa passar comentários às suas notícias na edição em linha que contêm insultos e inverdades, qual a razão para não publicar comentários que se limitam a fornecer dados que corrigem o conteúdo das notícias que publica?

A propósito desta notícia "Criminoso de guerra preso em Lisboa pode requerer liberdade em 2020", porque continua ainda por publicar - desde ontem à tarde - o comentário (em duas partes) cuja imagem publico a seguir? (Clicar sobre as imagens para as ampliar.)



Não parece sequer que seja um problema técnico, porque o mesmo leitor que viu estes comentários silenciados conseguiu, pouco depois, publicar um reacção a um comentário que já estava em linha.

Terá o Público alguma explicação razoável para isto?

(Note-se que o autor dos ditos comentários não sou eu; o nome e a localização do leitor em causa são genuínos, posso asseverar. E trata-se de um conhecedor da situação, concorde-se ou não com o seu ponto de vista global sobre o conflito.)

4 comentários:

Dias Santos disse...

Confirmo na totalidade que o Público faz censura nos comentários, sempre que estes contêm qualquer correção à notícia ou apreciação negativa do formato da mesma. Também faz censura a qualquer comentário que inclua qualquer elogio a Maria de Lurdes Rodrigues. Estas situações já me aconteceram diversas vezes, sendo que nunca utilizei qualquer expressão menos correta. É lamentável que um jornal que pretende ser "de referência" tenha tais práticas. Comentários com esta frase também já me foram censurados por diversas vezes.

Porfirio Silva disse...

É preciso encontrar meios de denunciar estas práticas censórias. Temos de precaver-nos: tirar imagens e divulgar casos concretos. Por isso dei esta publicidade a este caso que me chegou. O mesmo farei com outros que me cheguem, concorde eu ou não com as ideias expressas nos comentários.

Želimir disse...

O Público nunca publicou esse comentário em questão. Publiquei-o, antes de ter enviado ao Porfírio a queixa/lamentação amiga, no http://blog-19.blogspot.com/2012/08/criminoso-de-guerra-preso-em-lisboa.html, porque reparei que aquele blogue tinha chamado a atenção ao referido artigo.

Não é a primeira vez que o Público censura os meus comentários. E os meus comentários não invadem o domínio da opinião dos articulistas: geralmente denunciam abordagens jornalísticas deontologicamente inaceitáveis ou corrigem vários erros factuais.

Há dois anos, escrevi, como minha reacção, uma carta à directora, pedindo a publicação, pelo menos online. Sem resposta. Após várias tentativas infrutíferas, queixei-me ao provedor do leitor. Outra vez sem qualquer resposta.

No caso em questão, irritou-me a relativização, no artigo, dos factos tristes e horrorosos que aconteceram em Ovčara em 1991. Tirar os feridos do hospital, massacrá-los, liquidá-los e enterrá-los na vala comum é o crime mais hediondo e repugnante, juridicamente qualificado como crime contra a humanidade, ainda por cima res iudicata em Haia, que o jornalista, por mais fraco profissional que seja, simplesmente não tem nenhum direito de relativizar.

E sei do que estou a falar. Um parente meu foi exumado dessa vala comum, sob o número 64. Foi identificado pela ferida: a bala do sniper paramilitar sérvio tinha-lhe destruído a região mandibulo-maxilar e por isso tinha sido hospitalizado. A radiografia dos arquivos do hospital permitiu a sua identificação, confirmada depois pelo ADN.

Há vários tipos de censura. Essa é a mais simples: non imprimatur. Há tipos piores ainda, por exemplo, a relativização dos factos ou o bombardeamento com informações inúteis. Infelizmente, o Público mais uma vez provou que os dias da sua glória jornalística estão muito remotos.

Porfirio Silva disse...

Želimir, desculpa ter demorado tanto tempo a publicar o teu último comentário, mas tenho andado longe do blogue...