18/07/12

troikatismos.


Ontem, a propósito da mais recente avaliação do programa de ajuda externa a Portugal, comentou-se muito que o FMI está mais flexível do que os representantes da União Europeia na Troika, no que toca a adaptar as condições do "ajustamento". Antigamente, o FMI era o mau da fita; agora, o FMI surge como o "polícia bom".
Convém não esquecer o seguinte: enquanto o FMI faz, no curto prazo, o que bem lhe dá na gana em termos de orientação de política económica, os europeus da Troika são seguidos de perto por um autocarro de governantes que prestam contas às suas opiniões públicas de forma mais ou menos imediata. E essas opiniões públicas estão basicamente com os dentes aguçados contra os países "ajudados", que consideram ineptos e gastadores. Esse é o problema da Europa - e o nosso problema. É, afinal, o problema da democracia: temos de convencê-los se queremos o dinheiro deles.
Os que tanto bramam contra a "falta de democracia da Europa" (talvez por acharem que só há democracia onde tudo se pode decidir por assembleia geral de vizinhos) deveriam pensar nisto.

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