04/05/12

grego ou romano, judeu ou gentio.


Evitar cair no multi-culturalismo relativista, evitando ao mesmo tempo cair na ortodoxia eurocêntrica, não é fácil quando chegamos ao concreto. Defender as nossas liberdades sem fazer de conta que isso é igual a impor as nossas opiniões; aceitar o Outro sem prescindir do que é fundamental para nós e sem descaracterizar nas nossas sociedades aquilo que não pode ser negociado; desfazer a velha dicotomia entre o "antes vermelhos que mortos" e o "antes mortos que vermelhos" - não é fácil.
Rob Riemen, filósofo holandês, em entrevista ao Público/2 do passado Domingo 29 de Abril (conduzida por Teresa de Sousa), dá uma pista: «a ideia socrática de cosmopolitismo: eu sou um cidadão do mundo. Ele disse precisamente que não interessa onde se nasceu: não és um grego porque nasceste neste solo, mas és um grego porque adquiriste um certo tipo de educação».
Adquirir um certo tipo de educação, digo agora eu, é fazer o caminho de, com a tua cultura, te aproximares da minha terra e da minha gente, usares as ferramentas de decisão em conjunto que por cá existem, e entrares numa troca mutuamente respeituosa de horizontes. Dar e receber, contando com o meu interesse e lealdade, mas dando também o teu interesse e lealdade. Percebendo que uma comunidade não é uma máquina que se manipula à vontade, mas uma história comum que tem a sua própria dinâmica e contingências, o seu próprio tempo e inércia. O que eu posso fazer é dar a mesma disponibilidade para quando me dirigir à tua terra e às tuas gentes - e, ainda, pregar esse padrão de comportamento aos meus semelhantes.


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