29/03/12

o peixe binário (novo formato).



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(que é um desenho de Marisa Leiria)
para ir mais além.

4 comentários:

Jaime Santos disse...

E a vida não é, antes de ser Matéria, sobretudo Informação? Não que a queira reduzir a uma máquina de Turing, porque essa é determinista e o número dos seus estados possíveis é finito, coisa que é provavelmente falsa para os organismos vivos em relação à primeira questão. Sobre a segunda questão não me pronuncio, até porque a diferença entre hardware e software é difícil de estabelecer no caso dos organismos vivos... É possível aparentemente simular a fotossíntese, mas o resultado final é uma lista de números e não açúcares... Pela mesma razão, a simulação de um cérebro provavelmente não dará origem a processos mentais (já foi feita para meio cérebro de um rato)...

Porfirio Silva disse...

Jaime,
Sobre a informação: teríamos de tirar dois anos só para discutir isso, mas a "informação" não me convence.
Quanto ao cérebro: acho que a mente não está no cérebro, mas sim na história de interacção entre o cérebro e o mundo.

(É difícil discutir estas coisas em caixa de comentários...)

Jaime Santos disse...

Porfírio, eu (julgo que) concordo consigo, aquilo a que chamamos 'Consciência' (que penso que é sinónimo do que designa por mente) deve ser visto como fruto de um processo histórico contingente de aprendizagem. Eu sou hoje diferente do que era há 20 anos, apesar duma certa continuidade, e sou certamente muito diferente daquilo que era como recém-nascido. Mas só sou o que sou porque existe um registo que me traz de então para cá. E esse registo (a memória) é um registo de Informação (entendida no sentido de Shannon). É, claro, fragmentado (esquecer é bom às vezes). O que me parece menos claro é a forma como o cérebro 'processa' essa informação... E lá estou eu a deixar-me levar pela analogia do computador... Mas é uma analogia tão boa... E quanto ao seu comentário entre parêntesis, quem é que o manda postar sobre isto ;-) ?

Porfirio Silva disse...

Eh eh, pois claro, a tentação de postar sobre estas coisas é grande!

Eu acho que o Shannon, coitado, não gostava nada dos abusos que logo se começaram a fazer da sua (dele) teoria matemática da comunicação. Para abreviar razões: ele foi muito claro em dizer que nada daquilo tinha a ver com semântica, enquanto os "entusiastas" esqueciam isso e "voavam" com muita pressa. Expliquei basicamente o que quero dizer com isto no meu livrinho sobre a Cibernética.

E, pois, a metáfora do computador é tentadora, mas terrivelmente enganadora. A "crença" de muitos, segundo a qual o computador é um excelente modelo para quase tudo, é profundamente errada. Não é mesmo modelo para quase nada: é um objecto raríssimo na natureza.

Bom fim de semana.