07/03/12

isto não é sempre tudo mais do mesmo.


Eu até concordo que Portugal não pode dar a ideia de que está sempre a pensar em tudo menos em cumprir o Memorando de Entendimento com a troika. É que ninguém está disposto aos sacrifícios que resultariam de prescindirmos do empréstimo que esses mauzões nos fizeram e fazem. Só que isso não implica engolir tudo sem um pio. As condições estão a mudar, sabemos mais hoje do que sabíamos ontem, temos de ir acompanhando a evolução do assunto. Em particular, ninguém pode pedir ao país que faça de conta que não se apercebe da iniquidade da situação. Como resume hoje Rui Tavares, no Público:
Se ainda tivessemos capacidade para o escandalo, isto deveria chegar. Num único dia de dezembro passado, o Banco Central Europeu disponibilizou 500 mil milhões de euros em empréstimos para os bancos europeus. Isto é mais do que foi emprestado à Grécia, à Irlanda e a Portugal em dois anos. Num único dia de março, o Banco Central Europeu decidiu reforçar a dose e os bancos europeus não se fizeram rogados: de assentada, tomaram mais de 500 mil milhões de novos empréstimos. E quem não o faria? O juro era de um por cento. Aos países pedem-se juros cinco vezes maiores, e mais. (...) O Banco Central Europeu esforça-se por deixar claro que aqueles empréstimos são sem condições, que os prazos de pagamento foram triplicados e que, para os obter, qualquer garantia serve. Um bilião de euros aos bancos, em dois simples dias, a um por cento, sem condições, com prazos alargados, com quaisquer garantias, sem nenhum sacrifício.

Perante isto (vale a pena ler o resto do artigo), e tudo o mais que se sabe (os resultados que a austeridade dá, o que os países mais ricos ganham com a situação, ...), não podemos simplesmente continuar a navegar à bolina como se nada fosse. Não pode o governo da nação, se se deixar de preconceitos ideológicos. E não pode a oposição moderada (o PS), se quiser fazer o papel que cabe a qualquer oposição leal: mostrar caminhos alternativos.


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