12/03/12

democracia electrónica.


A secção "Cartas à Directora" do Público publica cada dia o seguinte esclarecimento: "As cartas destinadas a esta secção devem indicar o nome e a morada do autor, bem como um número telefónico de contacto." Prudência elementar.
Não obstante, logo ao lado temos uma espécie de secção associada, a dos "comentários online". Hoje aparece lá o seguinte, que reproduzo já com título e tudo: "PR pede fiscalização do crime de enriquecimento ilícito. Todos os políticos vão tentar boicotar esta lei, que nunca será aplicada. Em qualquer país decente há muito que estaria em vigor sem qualquer problema." Este comentário é "assinado": Anónimo, Mafra.
Quer dizer: para ir pelas cartas à Directora é preciso identificar-se e ser contactável; para ir pelos comentários, pode ser-se anónimo à vontade - e, apesar disso, ou precisamente por isso, pode ser-se ignorante à vontade, dizer disparates à vontade, imputar vícios aos "políticos" indiscriminadamente, simplificar demagogicamente problemas que são complexos e graves. Tudo isso sem que quem quer que seja possa pelo menos saber quem foi o autor do dislate.
Deve ser a isto que chamam democracia electrónica. O reino da estupidez emplumada.

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