02/02/12

histórias da cultura ciborgue.



Povoar a imaginação: eis como se conquista o senso comum, como se constroem impérios de ideias. (Pronto, a versão gramsciana fica para outra altura.)

O termo ciborgue (há quem prefira cyborg) resulta da contracção de cybernetics organism, organismo cibernético. É, pois, uma criação de uma particular metafísica para consumo de cientistas e filósofos, a qual teve um momento de glória no século XX. Depois, passou-lhe um pouco a glória, mas ficou o peso no senso comum, factor de muita valia para moldar o horizonte de aceitabilidade da sociedade em relação a certas "experiências" com o humano.

Em 1972, Martin Caidin publicou a obra de ficção científica Cyborg, que conta a história de um piloto de testes da Força Aérea norte-americana, Steve Austin, que sofre um grave acidente e fica todo partido - para depois ser reconstruído com próteses cibernéticas no laboratório do Dr. Killian. A história ampliou o seu potencial para moldar o senso comum com a passagem a série televisiva: The Six Million Dollar Man. Os episódios-piloto passaram ainda em 1973, na americana ABC, tendo depois cinco temporadas, entre 1974 e 1978. É uma das primeiras montras populares da figura do "homem melhorado" com implantes artificiais, passando a funcionar como uma espécie de super-homem que pode ser real. Pode ver-se aqui o genérico e aqui um excerto de um dos primeiros episódios. O sucesso da série deu origem à sequela The Bionic Woman. A vulgarização deste imaginário permite um largo espectro de manipulações da ideia, como se exemplifica aqui.

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