15/02/12

aquele querido tabu.


"Tabu", de Miguel Gomes, é considerado o filme sensação no Festival de Berlim.

"Aquele Querido Mês de Agosto", filme anterior do mesmo realizador, é daquelas obras cujo fascínio sobre mim nunca consegui explicar bem. É tanta coisa que lá vem dentro, embrulhada numa aparência de facilidade e de "corriqueiro", misturando ironia e ternura, daquelas pedras rolando pela encosta que podem escorrer para a tragédia ou para a salvação cósmica - que não sabemos por onde começar a pensar tal objecto. "Aquele Querido Mês de Agosto", sendo um filme para sentir - um filme que nos puxa para o seu universo e nos mistura nele - é também um filme que obriga a pensar: quanto mais não seja, obriga a pensar se queremos "fazer uma teoria" do que vemos.
Tudo isto me deixa em pulgas para ver "Tabu". Não por ele ter ou deixar de ter o Urso de Ouro no Festival de Berlim (seria bom que tivesse, mas se calhar não é fácil), mas porque tenho ganas de ver mais filmes de quem fez "Aquele Querido Mês de Agosto". E, claro, se o realizador for reconhecido a outro nível, se calhar tenho mais possibilidades de voltar a ver no futuro filmes "daqueles".


3 comentários:

Luisa disse...

Vi 'O meu querido mês de Agosto' 3 vezes. Vivi ali a minha infância e juventude, conheci aquela gente, estive naquela procissão, dancei naqueles bailaricos, nadei naquele rio, ouvi os barulhos inexistentes na mata.
Fico ansiosa pelo 'Tabu'.

Porfirio Silva disse...

Luísa, o mais extraordinário é que, mesmo sendo tudo assim, aquele filme não é apenas uma "reportagem" de tudo isso.

Luisa disse...

Claro que não Porfírio, é uma história de amor.