06/01/12

Maçonaria.


Não alinho em caças a supostas bruxas, não é agora que me vou converter às teorias que, se aplicadas, resultariam na caça ao maçon.
Aliás, eu até gostava de ser maçon, aí durante uma semana ou duas, para usar os arreios correspondentes e ir aos equivalentes funcionais das missas na Sé. Tenho uma certa saudade de ritual, em geral, é uma coisa que me distrai o espírito.
Portanto, não me move nenhuma sanha persecutória - mas confesso uma certa curiosidade. Aliás, se ainda houvesse ingénuos no mundo, acredito que alguns maçons e **** (como se diz uma mulher que é da maçonaria?) o fossem por curiosidade, por exemplo para saber ao certo quais são os bispos da igreja católica que são maçons.
De qualquer modo, maçonaria é coisa sobre a qual nunca pensei escrever aqui. Faço-o porque um amigo muito estimado me sugeriu que era bom tema para o blogue - e eu, tendo dito que nada tinha a acrescentar sobre o assunto, vim a temer que ele pensasse que eu não escrevia para não "ferir susceptibilidades". Estar de bem com Deus e o Diabo, digamos. Tendo pensado nisso, tinha de escrever. E aqui estou - mas, como disse, sem nada de útil para dizer (razão pela qual tinha pensado ficar calado).
Nunca fui convidado para a Maçonaria - não tenho pergaminhos para isso, sou um pé descalço, um espírito mediano como há muitos, esses podem inscrever-se em clubes normais. Se tivesse sido convidado, teria recusado. Até porque iria acabar mal: tenho uma inenarrável tendência para me desmanchar a rir em circunstâncias cuja solenidade me parece despropositada - e isso acabaria por acontecer numa daquelas sessões em que comem criancinhas. (Ou comer criancinhas é com os comunistas?! Mas, quando jovem, li livros onde se garantia que os maços matavam crianças, garanto.) Ser convidado e recusar é pior que nunca ser lembrado: para certos círculos, recusar tão honroso convite é a morte cívica do atrevido.
De qualquer modo, estar aqui a escrever isto serve mais ou menos para o mesmo: faltar ao respeito à insigne instituição, deste público modo, traça um risco fino sobre o meu nome em todas as listas de cidadãos que repousam nas gavetas de instituições onde os "irmãos" são nata selecta e discreta a encher as veias da classe alta. Espiritualmente alta, bem entendido.

(Caro Z., estás satisfeito?)

1 comentário:

Želimir disse...

Querido Porfírio,
Nunca eu poderia pensar – nem pensei – que não escrevias para não "ferir susceptibilidades".
A minha sugestão foi movida apenas por motivos da curiosidade que sinto por tentar perceber qual o poder real da maçonaria na sociedade portuguesa? Será realmente tão forte como é sugerido nos meios de comunicação social e apresentado nas fofocas ou é a nível de influencia de qualquer outro grupo de interesses ou de pressão, existentes em todas as sociedades? Melhor, qual é a tua percepção sobre essas perguntas – tu és um insider da sociedade portuguesa altamente qualificado para esse tipo de respostas que se dão a estrangeiros curiosos e eu, infelizmente, apenas um observador longínquo dessa mesma sociedade, com muitas faltas de informação.
Um grande abraço amigo,
Želimir
P.S. Sinceramente espero que não penses que perguntei apenas para testar se irias ou não "ferir susceptibilidades". A minha loja cá é muito semelhante à tua lá: ambas são de esquina e têm de manhã um pão delicioso, fresco e cheiroso! :-)))