15/12/11

simplificação jornalística, dizem eles.


O Público de ontem destacou em título que Rui Rio discordaria da redução do número de freguesias. Hoje, o mesmo jornal publica uma missiva de Rui Rio a mostrar que todas as suas declarações desmentem esse título. A direcção do Público dá-lhe razão e passa a uma narrativa sobre os intestinos do jornal: publica o título que a jornalista tinha proposto, aparentemente sem pudor de mostrar que uma jornalista possa ter proposto um título com um estilo próximo das redacções da Guidinha; assume que o título foi modificado no fecho da edição (o título ficou conveniente mais curto, mas errado); e diz que o erro resultou de uma «necessária simplificação jornalística».
Quer dizer: a direcção do jornal, em vez de assumir o erro em nome do jornal, aponta o dedo à jornalista, num gesto que a mim me parece de pura falta de solidariedade funcional, numa espécie de passa-culpas que fica mal a qualquer direcção; a direcção do jornal confunde uma notícia objectivamente falsa sobre uma figura pública, que por isso é prejudicada por essa notícia falsa, com «a necessária simplificação jornalística».
Acho que assim se percebe muita coisa do que se passa por essa comunicação social. Afinal, é tudo parte d'«a necessária simplificação jornalística».

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