20/11/11

uma RTP ao serviço do MNE angolano.


Ontem foi um sábado dedicado a recuperar de erros de mau planeamento do calendário pessoal. 16 horas, Artistas Unidos no Teatro da Politécnica, Não se brinca com o amor, de Alfred de Musset. Uma peça do fundo do século XIX que eu não conhecia de todo e que me recuso a ver, hoje, como centrada nas hesitações de uma rapariga entre ir para o convento ou casar-se com um rapaz que lhe apetece, mas que consigo ler, especialmente com esta representação, como um quadro da infantilização das relações entre as pessoas. E, por esse lado, parece-me muito actual. Para este espectáculo, que estava ontem pela último dia em Lisboa, apanhei na passada quarta-feira o último ou quase o último bilhete regular disponível no mercado. Sem outra saída possível, portanto: até porque queria associar-me ao acontecimento de os Artistas Unidos estarem agora neste poiso estável no centro da capital do império. Segui, com lanche pelo meio, para as 21 horas, Teatro Municipal de Almada, Santa Joana dos Matadouros, de Brecht, numa encenação de Bernard Sobel, uma espécie de esclarecimento acerca das crises dos mercados no que elas têm de actual e de intertemporal, numa carreira que acaba hoje e que não queria de todo perder, até pela oportunidade de ver a Alice actuar.
Com seis horas líquidas de teatro para ver, não houve tempo para acabar de ler o Expresso ontem, pelo que só hoje cheguei à coluna de opinião de João Duque no suplemento Economia do hebdomadário. Graças à Shyznogud posso dar-vos o desprazer de acederem ao texto em linha. A concepção de informação deste Duque, mais primária do que a de António Ferro, retintamente cavada numa ideia totalitária, mas num totalitarismo versão zero-ponto-zero, continua a ser exposta com uma infantilidade atroz. O homem pensa que Portugal pertence ao mundo da Lego, ou quê? No post da Shyznogoud há um comentário que diz o essencial acerca do tenebroso duquismo: "A ideia de fazer jornalismo para agradar ao ministro dos negócios estrangeiros angolano é a melhor ideia de todos os tempos...". Eu nem quero imaginar a desgraça de um país onde um autor deste calibre pudesse ser "um académico"...

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