20/11/11

a pele onde eu vivo.



Lamento, mas não dá para perder muito tempo com este objecto. O último Pedro Almodóvar, La Piel Que Habito, não fica bem a este realizador. Uma história mal contada, previsível, cheia de cenas banais, onde até as fabulosas mulheres de Almodóvar ficam mal. Um objecto onde não cabe um pingo de reflexão, onde tudo o que existe está postado em frente do nosso nariz. Este filme é a prova provada de que não é Cronenberg quem quer. Mesmo a um grande como Almodóvar pode faltar a metafísica suficiente para fazer da carne algo mais do que uma peripécia macabra. Um filme de que não ficará rasto.

1 comentário:

Yussif disse...

Com ponto vista respeitoso, porém diametralmente oposto ao comentário anterior, a obra prima de Almodóvar, como quase tudo o que ele produz, leva os espectadores mais atentos a reflexões profundas. O filme aborda vários temas: Degradação da estrutura familiar, profissionais que secundarizam os conceitos sociais para se dedicarem, exclusivamente,aos conceitos individuais, ética humana e profissional, vingança como instrumento de justiça, simulação da síndrome de Estocolmo como mecanismo de libertação do algoz, discussão sobre a identidade de gênero, crime e castigo, dentro tantos outros. O filme está perfeitamente inserido na realidade do século XXI onde se discute os limites da ética médica e científica em prol do bem da humanidade. Um dos tantos filmes de Almodóvar que, com certeza, enriquece o conjunto da sua obra.