10/10/11

inteligência artificial.


Bela ilustração de mais um problema fundamental da Inteligência Artificial.


Que vos ocorre?

Eu diria que o problema enunciado nesta imagem diz respeito a uma fronteira essencial entre as criaturas naturais e as "criaturas" artificiais. As estas últimas falta contexto, sendo que o contexto é dado pela história partilhada. Não é de espantar! Vejam bem: "fazer" um adulto humano demora muito mais de dez anos, desde o primeiro "acto" até uma certa autonomia e auto-determinação; por que haveria de ser mais rápido fazer um robô inteligente? A parte de leão daquelas características que nos tornam aceitáveis ao convívio humano são paulatinamente (às vezes, penosamente) adquiridas por um intenso e contínuo historial de interacção complexa e múltipla em grupos de congéneres, grupos esses onde há pares e onde há "mais velhos" que já viram muitas outras coisas. As máquinas, mesmo as inteligentes, não têm essa oportunidade. Falta a história de interacção, falta-lhes contexto. Ora, e aí está o ponto desta magnífica ilustração, os humanos também podem perder o contexto. Quem não vê como é que aqueles dois objectos estão relacionados - perdeu uma parte da história!

7 comentários:

Jaime Santos disse...

Eu que sou suficientemente velho para ter ainda usado cassetes, diria que o lápis se utiliza para rebobinar a dita (não toda, claro) ;-) ... Não é apenas a historia de um indivíduo que falta, é igualmente a história comum da espécie impressa nos genes... Poderá porventura a aplicação dos chamados algoritmos genéticos à IA servir para colmatar esta falha?

Jaime Santos disse...

Opps, o Porfírio porventura aborda a questão que eu levantei no texto indicado no seu post anterior. É o que dá comentar primeiro e ler depois...

Porfirio Silva disse...

Os algoritmos genéticos são uma abordagem interessante para uma certa escala temporal (o muito longo), mas há outras "janelas" que se cruzam, de formas muito mal compreendidas, na produção de um certo comportamento. Evolução (espécie entre espécies), cultura (grupo humano alargado entre outros), desenvolvimento (um indivíduo a tornar-se adulto entre uns poucos indivíduos), aprendizagem: como é que tudo isso se cruza? Há por aí quem pense que "a evolução explica tudo", mas não (aliás, ainda me falta escrever um post sobre a "história do orgasmo", que andou aí a agitar as hostes na semana passada).

Porfirio Silva disse...

Ah, claro que eu sabia para que servia o lápis. Também sou suficientemente velho para isso. Se calhar já sou é suficientemente velho para me ter esquecido ........

Jaime Santos disse...

Francamente, nao sei a ate que ponto se pode levar a teoria dos memes a serio, mas parece existir um conjunto de conceitos que sao universais a especie e que sao aprendidos desde tenra idade. Isso seria no fundo uma extensao da evolucao (i.e. em vez de informacao genetica teriamos informacao registada na memoria colectiva), por outros meios...

Porfirio Silva disse...

Jaime, para ser curto e grosso, considero a teoria dos memes uma falsificação intelectual - apesar de ser muito popular entre cientistas e filósofos do grupo dos que gostariam de poder explicar o mundo com uma única teoria.

V disse...

O que aconteceria se não padecesse-mos do esquecimento e morresse-mos, é por isto que eu aqui venho