26/08/11

um argumento a favor da diversidade

Eis um argumento a favor da diversidade (de Leibniz, via Borges). Consideremos duas bibliotecas com exactamente o mesmo número de livros. Vamos supor que há um livro que é o melhor livro do mundo: o livro perfeito. Suponhamos que o livro perfeito é a Eneida, de Vergílio. Uma daquelas bibliotecas só tem exemplares da Eneida. A outra biblioteca tem um exemplar da Eneida e todos os outros livros são exemplares de livros inferiores ao livro perfeito. Qual das bibliotecas é a mais interessante?
(lembrado por G.J. Chaitin)

10 comentários:

Anónimo disse...

só uma é biblioteca, a outra é um armazém de eneidas

Porfirio Silva disse...

:-)

gogol de kapote disse...

nenhuma...

os livros são para ler não pra guardar

a eneida é chata coma merda

Jaime Santos disse...

Depende de quantos leitores quiserem ler a Eneida ao mesmo tempo ;-) ...

Porfirio Silva disse...

Que a Eneida seja chata, é uma questão de opinião. Que haja qualquer incompatibilidade entre um livro ser para ler e ser para guardar, não vejo onde está a lógica. Que se conceba uma biblioteca como um lugar para "guardar" livros... prefiro nem comentar.

Porfirio Silva disse...

Jaime, há um ponto curioso: uma biblioteca que só tenha exemplares da Eneida, só tem um livro. Em muitos exemplares, mas um só livro. Será isso uma biblioteca?

Carlos Fragateiro disse...

Porfírio comentto com uma referência do Umberto Eco do seu livro "A Bilioteca", pensoq ue editado em Portugal pela DIFEL: "Um dos mal entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro que se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou a de qualquer amigo que possamos visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós". Abraço

Porfirio Silva disse...

Fragateiro, tens toda a razão: de outro modo, a biblioteca seria mesmo apenas depósito.
Grande abraço.

Jaime Santos disse...

O meu comentário era 'tongue-in-cheek' obviamente, mas eu pretendia chamar atenção para o facto de o termo 'interessante' ser puramente subjectivo. Do ponto de vista da teoria de informação, a primeira biblioteca (aquela que não é um armazém de Eneidas) é a que contém mais informação (no limite, a biblioteca com informação máxima é a de Borges, que contém todos os textos possíveis, até os aleatórios, mas ela é igualmente inútil). Aliás, aquilo que o texto de Eco citado pelo Carlos reflecte é exactamente isso, o carácter inesperado (probabilístico) dos livros que encontramos. Mas a quantidade de informação é uma medida de diversidade, não é por si só um argumento em favor dessa mesma diversidade... O facto dos seres humanos serem (na sua grande maioria) seres curiosos, algo que resulta provavelmente da nossa história evolutiva, é que confere à primeira (e única) biblioteca o seu interesse...

Porfirio Silva disse...

Jaime, acho que em termos de teoria da informação a biblioteca mais "desorganizada" seria a mais informativa. Mas demasiada "desorganização" não serve para nada.
Talvez o título devesse ser "um argumento a favor de ALGUMA diversidade"!