06/07/11

guerra civil


Ontem à noite, Cinemateca. Ver "Guerra Civil", de Pedro Caldas. Prémio Tobis de Melhor Longa-metragem Portuguesa no Indie Lisboa 2010. Alertados pela imprensa de que não iria, pelo menos para já, passar ao circuito comercial.
O filme tem um tema corriqueiro, para pessoas que ainda se lembram da sua adolescência, assim se revendo num espelho; para pessoas que já não se lembram da sua adolescência, para que tentem lembrar-se; para pais traumatizados por não terem percebido nada da adolescência dos seus filhos; para pais que fizeram o que se pode fazer para que a adolescência dos filhos não seja nem melhor nem pior do que tem de ser; para filhos e para pais que saltaram a adolescência e caíram directamente no purgatório, sem passar entretanto pelo céu nem pelo inferno. Um filme que trata um tema corriqueiro com uma melancolia certa e um pouco reflexiva. Com uma história que acaba como acabam todas as histórias quando o argumentista não sabe o que fazer à história: como quem nunca chegou a compreender como saiu da adolescência. Um filme com momentos belos, que promete bastante durante bastante tempo para não nos deixar arrependidos de ter ido.
A estratégia formal do filme, em círculos e em eternos retornos, mostrando que a vida não é só o nosso lado da vida, é uma estratégia formal interessante - mas que pode fracassar. Tivemos, ali, a prova de que pode fracassar. A pessoa da Cinemateca que preparou o visionamento trocou a ordem das bobines e, como confessou em público, achou que fazia sentido assim. O realizador teve de interromper a projecção para dar a sua própria ideia do filme, repondo a ordem das partes tal como ele a tinha pensado, embora admitindo que aquela outra "ordem das bobinas" também podia ser, excepto porque cortava uma cena central, estruturadora daqueles universos pessoais ali a rodar.
Enfim, uma obra que vale a pena ver, se chegar às salas.
Se chegar, porque há "um problema de direitos" que tem impedido a comercialização. Perguntado sobre qual era esse problema, o realizador mandou perguntar ao produtor. E acrescentou que o produtor não estava presente, embora estivesse na sala o advogado do produtor. Claro, como somos um país grande grande grande, fechamos um interessante filme português fora do circuito comercial por causa de uns "direitos", que não são de certeza os nossos direitos. Mas, claro, todos os direitos devem ser protegidos.



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