30/06/11

o programa e o governo


Quando chegou a vez de Apolónia tive de desligar. Ouvira, até aí, o PM e uma voz por cada um dos partidos que têm deputados por se apresentarem ao eleitorado (que não é, exactamente, o caso dos melancias). As minhas impressões são, talvez por não ter ouvido Apolónia, um pouco difusas.
É cedo para saber quanto durará a simpatia de Passos Coelho, que até parece ter comovido Jerónimo de Sousa. Mas a simpatia não é exactamente a mesma coisa que capacidade negocial. A primeira dá um bom acepipe, sendo necessária a manter a mesa em atitude civilizada (o que não é coisa pouca); a segunda é extremamente necessária para cozinhar o prato principal. É bom, de todos os modos, que o PM tenha, finalmente, percebido que há uma crise internacional.
Maria de Belém Roseira fez, muito bem, um discurso difícil: sabemos bem quais são as nossas responsabilidades, não vamos fugir, mas estamos atentos. E, se o governo tem legitimidade para governar, o PS também tem a legitimidade dos votos que teve. E as perguntas que Maria de Belém fez estão muito para além daquilo que o PM queria, ou podia, responder no momento. São, pois, perguntas que vão "andar por aí".
O principal motivo de expectativa é, para mim, o facto de serem constantes as referências, vindas da maioria, à concertação social. Se for a sério, é importante. E positivo. A ver vamos.

6 comentários:

Anónimo disse...

"o PM e uma voz por cada um dos partidos que têm deputados por se apresentarem ao eleitorado (que não é, exactamente, o caso dos melancias)". A partir do momento que opta por este nível de linguagem perde uma leitora. Concedo que isso lhe seja indiferente e que assim continue. É livre, claro. Mas não estarei cá para ver. (Esclarecimento: não tenho qualquer ligação à senhora Apolónia nem ao seu partido e também não sou uma melancia).

Cordialmente,
Daniela

Porfirio Silva disse...

Daniela,
Os Verdes nunca se apresentaram às eleições em listas próprias.
Além disso, há testemunhos públicos, escritos, nunca desmentidos, de que esse partido foi criado por encomenda de outro partido (Carlos Brito, que sabe do que fala, porque foi muitos anos um alto dirigente do partido que encomendou o "trabalho"). O "melancias" vem daqui: e a Daniela é um bocado distraída, porque já escrevi isso aqui muitas vezes.
Posto isto: se deixa de me ler por isto, é porque não suporta verdades políticas muito claras. Nada posso fazer por isso, nem nada quero fazer por isso.
Digo-lhe mais: devia ser proibido um partido ter grupo parlamentar sem se apresentar uma vez na vida com as suas próprias listas ao eleitorado. E os melancias deviam sentir-se inibidos de fazer críticas à transparência da democracia, dado este comportamento.
Também cordialmente,
Eu.

Anónimo disse...

"se deixa de me ler por isto, é porque não suporta verdades políticas muito claras." Engana-se (aliás, é-me difícil perceber como chega a uma conclusão tão radical com tão poucos dados a meu respeito). É justamente por apreciar a verdade, seja de que tipo for, que me incomodam insinuações (estilo assaz abundante nas "conversas políticas") - prefiro enunciações, tal como fez no seu comentário (e não é que até concordo consigo!).
Quanto a ser distraída, acertou, embora essa característica pouco influa no comentário que fiz. Interessa sim o facto de ler este blogue apenas há uns meses. Mas permita-me voltar à natureza dos blogues. Não são lidos como os livros, página a página, por uma ordem pré-determinada. Cada post vale por si.
Por outro lado, sendo eu "tecnicamente" jovem, acompanho necessariamente os assuntos políticos há muito menos tempo que o Porfírio. O que me interessa é portanto conhecer. Ironizar, só depois.

Cordialmente,
Daniela

Anónimo disse...

Queria apenas acrescentar o seguinte: comecei a lê-lo porque me pareceu ter uma capacidade analítica e de distanciamento emocional atípica na blogosfera portuguesa. É que para quem quer compreender, a ironia, a piada, coisas que sabemos (portugueses) fazer como ninguém, podem ser entraves quando predominantes.
Obviamente que não é sua função corresponder às minhas expectativas. Estou apenas a partilhá-las consigo.

Daniela

Porfirio Silva disse...

Daniela,
Um blogue é um blogue, um homem é um homem.
Eu não respondi pelo blogue (o blogue não se queixou do que a Daniela disse). Eu respondi pelo homem.
E o o homem não se coloca todo em cada post. (Nem se coloca todo no blogue.)
É claro que também não se pode exigir que leia todo o blogue para fazer a exegese de um post particular. Mas pode ler-se um post particular na consciência de que é um fragmento. E, sendo assim, pode não fechar a margem interpretativa: pode fazer uma pergunta ao autor, pode fazer uma busca no blogue pelos termos pertinentes. Eu, quando (raramente) vou comentar em outros blogues, costumo tentar primeiro perceber os veios mais imediatos do "rizoma" (credo, o que eu fui invocar). Mas isso sou eu, não a norma.
Coisas mais próximas: eu não fiz uma insinuação sobre os Verdes; fiz uma afirmação, baseada em dados que são públicos, mesmo quando não são mencionados. E, assumo, tenho uma embirração com a senhora deputada Apolónia, que vai muito além do meu desinteresse políticos pelo PEV. Mas não vou estar aqui a chamar nomes à senhora, lá por causa disso.
Eu, que tecnicamente não sou jovem, não ponho o ironizar a competir com o conhecer. Mas ponho o ironizar a funcionar quando bem me apetece: liberdade de autor. O autor não pergunta ao leitor quando pode dar um salto: dá e o leitor que se mova, se quiser e souber. Se eu faço isso bem? Não tenho a pretensão. Por isso, ler este blogue só pode ser uma questão de gosto. Se a Daniela deixou de gostar, tenho pena - mas é a vida.
Cordialmente, até sem ironia, eu abaixo assinado.

Porfirio Silva disse...

Coisas da vida: o meu anterior comentário foi escrito antes de ter lido o seu último comentário, Daniela.