17/05/11

a ver quem inventa mais disparates sobre as Novas Oportunidades


Miguel Sousa Tavares estava agora mesmo ali numa TV a comentar, que é uma coisa que ele faz, suponho, para ganhar a vida. Sobre a polémica das Novas Oportunidades, dá uma no cravo outra na ferradura, diz que o debate parlamentar pedido pelo PS não serve para nada e propõe o seu método "para esclarecer a questão".
O método MST para avaliar as Novas Oportunidades seria assim: convocar aleatoriamente 50 ou 100 diplomados pelas Novas Oportunidades e fazer-lhes um exame, a ver quem passa. MST acaba de resolver o problema da avaliação dos sistemas de educação e formação. As organizações internacionais que se esforçam continuamente por avaliar cada vez melhor os sistemas, como a OCDE, podem poupar muito dinheiro: fazem uns exames, a uma amostra ridícula e já está. (Sim, uma amostra ridícula: MST fará alguma ideia da diversidade de situações de formação abrangidas pelas Novas Oportunidades? Pensa ele que poderia avaliar alguma coisas com uma "amostra" de 50 ou 100 diplomados do universo em questão? É falar por falar, claro.)

Assim, a ideia brilhante seguinte de MST deverá ser usar o mesmo método para avaliar todo o sistema de educação e formação em Portugal. E depois em toda a Europa. E depois em todo o mundo. E, já agora, por que não em toda a galáxia? Se algum terráqueo engolir tal ideia, os ET poderão engolir igual patranha. Entretanto, como MST dispõe das pessoas que passaram pelas Novas Oportunidades como se elas fossem cobaias de laboratório para as suas ideias de comentador, talvez se lhe devesse aplicar a mesma receita: que tal fazer uns exames de direito a Miguel Sousa Tavares a ver se ele ainda tem direito a ser considerado licenciado em Direito?

13 comentários:

P.A. Lerma disse...

não brinquemos os cno's e os efa e os cursos de formação de adultos em geral

tal como os mestrados exclusivamente desenhados para os professores

ou aqueles cursos de competências TIC e quadros interactivos

para pouco serviram a não ser para dar uns dinheirinhos a uns milhares
universidades incluídas

de resto o ensino em geral pouco se diferencia dos anos 70 ou 80

continua em fases experimentalistas

as autobiografias têm potencialidades
mas geralmente não passam de amontoados de colagens

Porfirio Silva disse...

Sendo tudo tão fácil para a sua unha, imagino que já tenha pelo menos uma dúzia de mestrados - ou será mesmo uma dúzia de doutoramentos? É que ***** postas de pescada é fácil.

joaninha versus escaravelho disse...

O MST devia ir tirar um curso de estatística nas NO para perceber como se constrói uma amostra representativa de uma determinada população. Não simpatizo com ele por vários motivos e também porque ele consegue ganhar dinheiro a dizer baboseiras e eu não.
Quanto às Novas Oportunidades, como a sua discussão não é o assunto do post (é a atitude do MST, não é?) abstenho-me de comentar apesar de até estar bem dentro do sistema para o fazer.

Já agora o Porfírio perdoe-me mas tenho que dar alguma razão ao PAlerma. É uma pena, mas é verdade que os cursos de formação dados no âmbito dos quadros interactivos - saliento que esta formação é dada só a licenciados/professores, já que agora já não há hipótese de leccionar com grau de habilitação inferior) foi formação dada para o boneco. Os tais professores (ordem de que faço parte) não querem saber dos tais quadros porque têm que investir tempo na aprendizagem de uso dessa nova ferramenta. Mas isso é um defeito dos portugueses.

(Claro que tudo o que estou a dizer é generalizado e não se aplica ao universo, nem aos ET´s, desculpe Porfírio mas o aminha metade alien sente-se ofendida. :) Na minha escola os quadros usam-se, não por todos os professores mas por alguns. Também tenho a dizer que o seu uso, em algumas disciplinas, se encontra desenquadrado do que é necessário para leccionar os conteúdos dos programas. Se me perguntar se o sucesso dos alunos aumenta com o uso do quadro, digo-lhe que tal não me parece...)

No entanto não foram as novas oportunidades que tornaram o povo português adeptos duma vida de facilitismo. Começou há muito (anos 80) quando se passaram os institutos a politécnicos para facilitar a mostra de novas escolas técnicas, na altura à CE, se não me engano, por se ter gasto o dinheiro para as criar, em... sei lá o quê. Foi o governo que criou o facilitismo e aproveitou o "tasse bem" do povo português. Quem pode exigir aos outros o que não faz?

Porfirio Silva disse...

joaninha vs. ... bom, é mais fácil assim: Lena,
Há batota em qualquer sistema. Há doutores de todas as espécies que fizeram uma ou outra batota no seu percurso escolar. Eu só me lembro de ter copiado uma vez na vida, no secundário: não por ser mais santo do que os outros, mas porque era um medricas. Entretanto, nada disso é argumento contra o sistema. Nada disso é específico de Portugal. Virar esse argumento especificamente contra as Novas Oportunidades é racismo social. É desprezo pelos que não tiveram condições para serem doutores nas calmas. Sou sensível a isso porque desde que terminei o secundário comecei a trabalhar para ganhar a vida, ao mesmo tempo que estudava, e sei o que isso custa. Mas, claro, isso só mostra que não pertenço às classes que levam os meninos pela mão até ao céu. E, claro, isso torna-me num suspeito aos olhos daquele racismo social.

joaninha versus escaravelho disse...

Acho que consigo entender o ponto de vista de quem não teve oportunidade de estudar. Conheço muitos casos. Mas também consigo perecber o outro lado. Acredito que o facilitismo não é um defeito exclusivamente nacional, mas infelizmente estou inserida num sistema que me coloca muitas vezes em dúvida sobre o se hei-de continuar a ser professora ou se hei-de ir fazer bolos. E falo a sério. O problema é que qualquer coisa que se diga é logo elevado a um plano infinito de pessoas o que faz parecer que são todos. Assim como há bons e maus alunos, bons e maus professores, bons e maus médicos, etc, etc, há pessoas que se aproveitam do CNO e outros que o aproveitam. Já gora, ouvi dizer que vai a Coimbra na sexta apresentar o seu livro? É verdade?

a-nó-ni-ma disse...

Porfírio,
se sabe o que custa pq foi trabalhador-estudante à séria, com um percurso "velho", então mais uma razão para se sentir afrontado com as NO. Pq nas NO dão certificações em 6 ou 12 meses do 10º +11º +12º, com equivalência!!
É que perante isso, eu considero que pessoas que foram trabalhadores-estudantes com tanto esforço e sacrfício se devem sentir injustiçadas e lesadas.
Ninguém que perceba umas coisas dá qq crédito a um Secundário NO.
pq é que acabaram com o noturno? pq não certifica num ano 3 anos, digo eu.

Porfirio Silva disse...

joaninha vs...
Também sou radicalmente contra o facilitismo. Mas também sou contra a acusação fácil de facilitismo. Aliás, eu gostaria de olhar na cara alguns pretensos anti-facilitismo e perguntar-lhes onde ganharam os títulos para encherem o papo como enchem. Porque neste país qualquer aprendiz de nada e coisa nenhuma diz que fazia melhor do que o presidente do Supremo Tribunal e acha que deve ser levado a sério.

Falando de coisas boas: vou a Coimbra, à apresentação do meu livro, esta sexta-feira, dia 20, pelas 18 H, no Gil Vicente. Convite aberto!

Porfirio Silva disse...

a-nó-ni-ma,
Um dos conceitos-base dos mecanismos tipo Novas Oportunidades, não apenas em Portugal mas em muitos outros países, é mobilizar conhecimentos adquiridos fora da escola, acrescentar-lhes mais alguma coisa e consolidá-los, e depois certificá-los. A ideia é que as pessoas aprenderam coisas fora da escola e podemos, e devemos, reconhecer isso. Por isso, dizer que se dá um diploma com 6 meses é demasiado ligeiro.
Andei, no século passado, mais de uma década a trabalhar ao nível da cooperação transnacional em projectos onde uma das coisas que se tentavam fazer era isso. Esse assunto está muito estudado, há muitos anos. Quando passamos de pequenos projectos para um programa em larga escala, uma verdadeira aposta, vêm ao de cima todos os preconceitos. E muitas vezes a ignorância. E o preconceito.
Quanto ao resto: entretanto o PSD, no meio de umas atoardas de que os diplomas são por troca de votos, está-se a preparar para mudar o tom e dizer que o problema é o dinheiro que se gasta nessas coisas. Não passa da mesma ratice do costume: focar os cortes nos programas onde haja gente que não tenha carimbo das élites.

Quanto à minha experiência pessoal: ela dá-me perspectiva, não me dá inveja, muito menos raiva.

Anónimo disse...

Vocês são generosos... 6 meses?! Qual quê!
Nos CNO's faz-se o 12.º ano em 3 três!) meses!
Mais: faz-se encomendando uma história de vida a alguém que saiba escrever e fazer algumas contas "et voilá"! Sai um certificado!

Se isto não é um embuste, o que será?

António disse...

Porfírio
ainda bem que tu escreveste sobre este tema e fundamentadamente como é teu timbre!Foi do melhor que li.Parabéns e obrigado!
Filipe do Paulo

Porfirio Silva disse...

Caro Filipe, não exageremos!
Um abraço.

CF disse...

:):) Para o texto... Quanto às novas oportunidades, e falando especificamente do que conheço, parace-me uma mais valia, que necessitava de uma outra organização. Ainda assim, e tudo quanto obrigue a empenho, conhecimento, e valorização pessoal, parece-me sempre bem. Quando muito, necessita de limar arestas.

Porfirio Silva disse...

É preciso aumentar a exigência em tudo. O estranho é que as mesmas forças políticas que fazem oposição a tudo o que seja exigência, para ganharem os votos dos que se sentem tocados, depois façam conversa da treta genérica sobre "exigência".