26/05/11

sim, quem não conta com a Europa na equação da nossa crise está terrivelmente enganado


Uma pessoa publica uns números, que parecem mostrar certas coisas que andam um pouco olvidadas: um serviço aos esquecidos. O Miguel Noronha, como não gosta dos números, fala como se os números não existissem (o que não cola com a tese dele, não existe: e chama os primos e os enteados para dizerem o mesmo que ele, como se isso mostrasse que ele tem razão). Uma pessoa ainda se esforça por conversar, mas o Miguel Noronha, convicto de que a profundidade da nossa memória acaba no dia de ontem, insiste na fumarada artificial: confunde um texto humorístico com um argumento. Insisto, porque não levo a mal que outro digam piadas: até é giro vê-los brincar com coisas sérias enquanto forem só blogueiros.
Mas, para desbloquear um bocadinho a conversa, trazemos ao Miguel Noronha mais um exemplar do que ele chama, com graça mas sem substância, "Alfama School of Economics". Trata-se do presidente do BES Investimento.

«Embora com algumas nuances, tendo a ter a mesma opinião do eng José Sócrates. As minhas razões são técnicas e não políticas e nem sequer digo que se o PEC IV tivesse sido viabilizado não chegaríamos ao PEC V! O que sucede é que os alemães, bem como uma parte importante dos outros países, preocupados com o risco do contágio da má situação dos países periféricos - veja-se a evolução da Grécia e da Irlanda! - tinham aberto a oportunidade de outra ajuda, a dita flexibilização do Fundo. Ninguém negou que fosse uma ajuda mas era mais mitigada, havia a chance de um auxílio um pouco diferente. O medo do contágio abrira essa possibilidade. E a maior diferença para a situação actual é que os mercados continuariam, eventualmente, abertos. Com taxas altas, mas abertos. O facto de termos inviabilizado isso precipitou um corte sucessivo dos ‘ratings' da República e dos bancos e houve o pedido de assistência financeira. Ninguém de boa fé pode afirmar que a viabilização do PEC IV impediria a ‘troika' em Portugal, mas ganhar-se-ia algum tempo. E na crise que estamos a viver na Europa e no mundo, ganhar algum tempo poderia ser positivo.»
José Maria Ricciardi, aqui.

À atenção de Miguel Noronha (que, provavelmente, dirá que o presidente do BES Investimento não usa as gravatas com o padrão adequado a que as suas opiniões possam ser tidas em conta. Aliás, por definição, qualquer opinião que não corrobore a opinião de MN é uma mera opinião. As outras opiniões são, evidentemente, factos num céu estrelado.)

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