10/04/11

o PEC IV e os ilusionistas


Vários "comentadores" (alguns vestidos de políticos) e vários "políticos" (alguns vestidos de comentadores) fazem declarações onde revelam algum espanto por Sócrates ter dito que as negociações sobre a "ajuda externa" vão ter por base o PEC IV. E dizem "mas isso foi chumbado pelo parlamento nacional". Pois foi chumbado, pois foi. É por isso que o PEC IV será "a base", "o ponto de partida". Depois haverá que acrescentar as consequências da crise política que então não existia e agora existe.
Entretanto, "pormenor" que parece escapar a alguns, não é uma teimosia de Sócrates que suporta essa declaração. O PEC IV, anteriormente apresentado pelo governo agora demissionário, vai ser a base das negociações por assim ter sido decidido pela outra parte negocial, os restantes parceiros europeus: os Ministros da Economia e Finanças da União Europeia e do Eurogrupo, reunidos na passada sexta-feira. Ao pessoal que anda a tratar da campanha eleitoral e não tem tempo para seguir estas minudências, presto o serviço de dar aqui o link para o comunicado respectivo, no original, onde vem esta pequena frase: «The set of measures announced by the portuguese authorities on 11 March is a starting point in this regard.» Se Miguel Relvas precisar, também há versões portuguesas razoáveis do comunicado.
Sim, ou alguém acredita naqueles que, depois de terem provocado a crise política, agora reclamam "mandem lá a massa que nós depois das eleições dizemos o que vamos fazer com ela"?

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