19/04/11

malabarismos verbais com a nossa vida, não, por favor


A nova estratégia do PSD é fazer de conta que fala verdade - para mentir. Assim no género: Pedro Passos Coelho vem e conta a história do Capuchinho Vermelho; o pessoal não percebe a que vem aquilo, mas ri-se, por compaixão; depois das eleições, se chegar a PM, o homem vem dizer "eu bem avisei que os vermelhos iam ser comidos pelos lobos". Parece estúpido, mas é assim que PPC está a apresentar o seu programa ao país: diz umas coisas, como se nem soubesse exactamente o que está a implicar, para depois dizer que tinha prometido isso.
Espécime mais recente desta mentira organizada: PPC anuncia na rádio que vai voltar à ideia do plafonamento no sistema de pensões; explica com detença a parte que parece saborosa: "ah, não vamos andar a pagar pensões muito altas, que isso derrete os cabedais à nação"; diz de passagem "claro que cada um só contribuirá na parte em que pode depois beneficiar". Quer dizer: veste uma promessa de privatização parcial da protecção social - entregar a fatia mais rica à exploração privada - com as roupagens demagógicas do "não vamos andar a pagar pensões milionárias".
A estratégia é sempre a mesma: vender a nossa vida aos privados. O que é estranho: se os privados querem, é porque é bom negócio. Se é bom negócio, porque não há-de ficar no Estado, se não se trata propriamente de "coisa" (a nossa segurança social) que deva ser mercantilizada? A táctica também é sempre a mesma: o Estado que tome conta dos mais pobres, ou dos remediados, que as "companhias" tomam conta dos mais abonados.
Pedro Passos Coelho, mais uma vez, tentou dizer a coisa de modo que parecesse o contrário do que realmente estava a dizer. E depois manda um sargento qualquer tentar embrulhar as palavras a ver se ninguém percebe.
Este comportamento do PSD tem um nome: desonestidade política.

(Fernando Medina explica o que está em causa.)

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