06/04/11

declarações do parceiro de coligação de Passos Coelho


O director-geral do FMI considera que em Portugal “o problema não é tanto de dívida pública como de financiamento dos bancos e dívida privada”.

Claro, já foi dito muitas vezes. Isso não tem impedido inúmeras vozes de baralhar tudo e tentar apresentar a coisa como se "o Estado" fosse a origem metafísica de todos os males. Quem recusa ver isso é gente que usa a crise como arma dos seus interesses próprios - ou que simplesmente não se conforma com o facto de a realidade que está lá fora nos campos e nas ruas não ser plasticamente moldável aos seus sonhos ideológicos. O problema é que... pagamos todos.

2 comentários:

CS disse...

Porfírio,

1) O problema está longe de ser linear num campo ou noutro. O Sector Empresarial do Estado (em que entram a REFER, a CP, e todos esses colossos de endividamento) é considerado sector privado. Dívida Pública é apenas a do SPA. Há um estudo de há sensivelmente um ano em que se demonstra que a dívida consolidada (SPA+SEE) já ultrapassava os 100% do PIB. Isto não é culpabilizar apenas o PS: as dívidas das autarquias e das regiões autónomas fazem parte da dívida do Estado, e estão mais ou menos equitativamente divididas por responsáveis do PS e do PSD.
2) Parte da dívida privada é resultado do agravamento do custo da dívida, que por sua vez tem a ver com as dúvidas que existem sobre a dívida pública (SPA). O que as agências de rating e os mercados estão a punir primariamente são os juros das obrigações do Estado. Em segundo lugar da Banca, porque esta financiou o Estado. Por inerência a banca repassa os custos às famílias e às empresas, e a dívida (capital + juros) destas aumenta pela vertente dos juros.

Pessoalmente, sou tão crítico do endividamento excessivo das famílias como do endividamento do Estado, mas por razões distintas. Isso não invalida contudo, que o cerne do problema neste momento esteja no Estado latu sensu (Sector Público Administrativo + Sector Empresarial do Estado).

Como liberal, considero contudo que os privados têm o direito a tomar más decisões com o que seu. É mais grava que o SPA as tome com o que é de todos. Além disso, há uma responsabilidade implícita política na venda de ilusões: PS e PSD venderam o "sonho" do Euro como convergência com as taxas de juro germânicas, e o resultado foi a ilusão de que se podiam comprar casas, carros, LCDS, computadores e tudo o mais a crédito. Contrariamente ao que TODOS os partidos dizem, um liberal genuíno, defenderia antes de mais o saneamento: é muito bom dificultar o crédito porque foi crédito a mais que nos trouxe aqui.

Porfirio Silva disse...

"foi crédito a mais que nos trouxe aqui".
Crédito a mais para as coisas erradas, parece-me.
As "culpas" são generalizadas, não só aos partidos, mas a muitos outros "actores" - mas temos dificuldade em assumir isso.
(Apenas observações parcelares, sem achar que respondi cabalmente ao seu comentário.)