04/03/11

o BE considerará também comprar umas bombas de gasolina para fazer comércio justo?


BE quer fixar preço máximo para combustíveis.

O pecado foi a liberalização, diz o Bloco. Liberalização resulta em especulação, diz o Bloco. Ora, se isso é verdade para os combustíveis, deve ser verdade para o resto. Ou "pode ser", pelo que, se adoptarmos um regime de preços controlados nos combustíveis, deveríamos considerar regimes de preços controlados para o resto dos bens. Considerar, quer dizer, começar a olhar à volta e pensar onde mais poderíamos intervir. Já vimos isto em qualquer lado, não vimos?
Mas há aqui um ponto: o Bloco diz que pagamos mais do que os outros países europeus. Mas eles também têm "liberalização" dos preços dos combustíveis, não têm? Quais são os outros países europeus que têm regimes de controlo dos preços pelo Estado? Pergunto, não sei. Mas o Bloco deve saber. E essa questão é importante. É que se nós pagamos mais do que outros, mas esses outros também têm preços liberalizados, em vez de preços controlados pelo Estado, a explicação não pode ser aquela que avança o Bloco. Nesse caso, a iniciativa do Bloco poderia ser vista como uma tentativa de vender controlo do Estado sobre o mercado à boleia da popularidade da questão do preço dos combustíveis.
O BE, com a aproximação da moção de censura, tem de inventar qualquer coisa. Receio bem que o próximo passo seja comprar uma bomba de gasolina para demonstrar a boa razão da sua luta contra a especulação nos combustíveis. Se a bomba do Bloco vender mais barato, e criar mais emprego, esse argumento vai pesar terrivelmente no equilíbrio político do país.

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