03/03/11

não culpem o PSD por isto


Isabel Alçada acusa PSD de fazer aumentar a despesa em 43 milhões de euros.

Não culpem o PSD por isto.
Aliás, não culpem "o" PSD por coisa nenhuma.
É que não há um PSD. Há muitos. Há o PSD que exige que o governo baixe a despesa. E há outro que tem sempre a assinatura afiada para leis que sobem a despesa. Há o PSD que tem muita pena das dores que a crise provoca em muitos portugueses. E há o PSD que suspira pela vinda do FMI, que, na Grécia e na Irlanda, não resolveu coisa nenhuma e não melhorou a situação social de ninguém. Há o PSD patriota. E há o PSD que diz ao mundo tudo o que possa prejudicar a imagem de Portugal. Há o PSD que quereria governar Portugal e, portanto, tenta dizer coisas ajuizadas para quando lá chegar. E há o PSD que diz qualquer coisa em qualquer momento, desde que isso possa aumentar a confusão. Há o PSD reformista, uma direita civilizada e pragmática que pensa que o país tem de livrar-se de atavismos e fazer-se à vida (foi o PSD de Sá Carneiro, mesmo que este nem sempre soubesse muito bem para que lado devia virar-se para ir nesse sentido). E há o PSD do vale tudo, dos videirinhos, que tanto estão bem com o CDS como com o PCP, desde que isso mantenha a cova aberta. Há muitos PSD por aí.
E o país que se aguente.

8 comentários:

Anónimo disse...

Ora aqui está algo em que podemos concordar. Nas derivas autofágicas do PSD? Seguramente. Mas numa frase clara que diz: O FMI não resolveu nada na Irlanda ou na Grécia. Pois não. Nem resolveria cá. Porque o FMI tem uma visão assente nas medidas de austeridade lusas, apenas elevadas ao cubo. O que resolveria? Escrevi sobre isso há tempos:
1) não se coloca um bêbado a tomar conta do armazém de bebidas. O país (todo) está sobrendividado. Logo há que plafonartravar o crédito. Contrariamente ao discuso político, o bom senso económico manda proibir o aumento do endividamento público, e dificultar a concessão de novo crédito. O FMI não o tentou. E em Portugal, o discurso do Governo, do PSD, da Esquerda, do PR eleito, é "facilitar o financiamento". Erro crasso. Os mercados reagem ao nosso endividamento brutal porque não vêem forma de o pagarmos. E nós queremos aumentar essa dificuldade. Quem discute isto?
2) Aumentar a poupança das famílias implica aumentar o rendimento disponível. Em 2010, um estudo revelou que o salário médio da função pública (SPA) em Portugal está inflacionado e 50% face ao sector privado, para competências equivalentes. O salário médio do país anda pelos 750 Euros. Porque só começam os cortes da função pública nos 1500 Euros?? Dir-me-á que isso não aumenta o rendimento disponível. Aumenta. Reduz o dos trabalhadores do SPAdministrativo (os tais 700000) mas permite reduzir a brutal carga fiscal, beneficiando os outros 4300000 trabalhadores. Cortar 3,5% nos 1500 Euros é gozar, quando pela via fiscal se abate o rendimento disponível de todos. Sem rendimento disponível não há poupança. E sem aumentar a poupança das famílias, como se espera aumentar a sua capacidade de pagamento de dívidas? Está estudado que os ditos "malvados mercados" mais não fazem do que reagir a algumas variáveis. Poupança, por exemplo.
3) O erro do nosso modelo de subsídio de desemprego é tomar o desempregado por inválido. Isso não o respeita como ser humano, sequer. O desempregado pode desempenhar funções de assistencialismo, apoio a idosos, apoio a serviços sociais, contra o subsídio de desemprego. Mantém um ritmo de trabalho e presta um serviço à sociedade. E evita depreciação de hábitos, factor que induz desemprego de longa duração.
4) Impõe-se combater a dívida. E isso é muito mais drástico. É preciso vender activos: ouro, que os chineses têm valorizado; privatizar, alienar. De outra forma, nunca gera excedente consignado a pagar o que devemos. SE conjugado com a proibição e plafonamento referido em 1);
5) Rever urgentemente o arrendamento. A última revisão foi um fiasco. Se o mercado de arrendamento for realmente flexibilizado, a habitação disponível sem recurso a dívida aumenta. E aumenta a capacidade de procurar trabalho em sítios onde ele existe. Os desempregados em Portugal estão "amarrados" ao local onde compraram os imóveis com que se endividaram. O que não se consegue por decreto, antes liberalizando o mercado dos novos arrendamentos. As pessoas que têm casas para vender e não o estão a conseguir - num cenário de crédito dificultado e arrendamento mais flexível - teriam o incentivo a colocar casas no mercado de arrendamento. E oferece uma oportunidade real de emprego: as pessoas podem procurar noutros distritos, a alguma distância de casa.

Obviamente que isto são apenas as medidas imediatas, e que nenhum partido, nem o FMI toma. Mais depressa aumentam o IVA para 25%. Com o efeito de agravamento espiral da economia.
Claramente há uma segunda vaga de atrocidades a serem desfeitas. Mas começar por estas não era mau.

Vive-se na esperança de uma dita "solidariedade europeia", como se alguém tivesse culpa que nos últimos 36 anos NUNCA tenha existido um superávite orçamental em Portugal!

O PSD que eu queria ver, ou o PS que eu queria ver, saberiam lidar com isto. Nenhum dos dois sequer o sugere.

Porfirio Silva disse...

Caro Anónimo,
Queria lembrar-lhe que, quando abre a caixa de comentários deste blogue, tem 3 regrazinhas que presidem à moderação. A primeira reza assim: "Esta caixa de comentários destina-se a isso mesmo: comentários sobre as postas aqui publicadas."
Lamento se este blogue lhe parece um sítio simpático para escrever os seus próprios posts, mas não é esse o meu entendimento.

O Editor

Anónimo disse...

Como lhe tinha dito, caro editor, estas considerações foram produzidas em local próprio há tempos (leia-se post próprio). Relacionam-se com as suas considerações sobre a eficácia do FMI na Irlanda e na Grécia, aspecto substantivamente mais interessante que o suicídio e as contradições do PSD.
Se a dimensão das considerações produzidas o incomoda, so be it. Foi um prazer. Eu diria contudo, que respostas à substância do comentário, não vi nenhumas no que escreveu. Quanto ao blogue que por acaso encontrei nas citações do público, fui-me deixando ficar porque achei que ocasionalmente tocava temas interessantes.
Infelizmente, o diálogo não é uma virtude do que entende por comentário. Seja.

Porfirio Silva disse...

Com franqueza, não seja disparatado. Se fez as considerações em lugar próprio, deixe-as lá estar ou, então, dê o link em vez de fazer a acta aqui neste sítio. Terá de concordar que não lhe compete a si fazer a agenda dos blogues dos outros. E, além do mais, talvez eu não tenha assim tanto tempo disponível para dar atendimento a quem venha instalar-se aqui a falar de tudo o que lhe apetece.
Posto isto, as bicadas sobre as virtudes do diálogo dão-me vontade de rir. A sério.

Anónimo disse...

Links em caixas de comentários alheias são facilmente interpretáveis como spam. Com certeza sabe e respeita essa regra de e-tiqueta. Sobre dar-lhe vontade de rir, fico feliz. O bem estar dos outros preocupa-me.
Ademais, a conexão do comentário ao texto já foi explicada. Pode é dar jeito "político" pretender a fuga ao debate. Mas esse não é o meu terreno. Nem esta caixa de comentários. Feel free to censor, caro Editor.

Porfirio Silva disse...

Não julgue os outros por si: a censura aqui fica reservada aos tipos que ameaçam bater-me e outros mimos.
Quanto aos links: eles podem ser restringidos pelos maquinistas, se assim o desejarem. Mas nada impede a transcrição de um endereço em "modo plano", assim: http://maquinaespeculativa.blogspot.com/
Pode não ser tão cómodo, mas dá a informação necessária.

Já agora: não são só os autores de blogues que podem ser apreciados pela etiqueta. Os comentadores também podem ter mais ou menos sentido do equilíbrio.

Anónimo disse...

Bom, agora que já terminaram os rodriguinhos do Porfírio com o anónimo venho aqui dizer que a receita do anónimo nada tem de interessante;
Aumentar o rendimento diponível para aumentar a poupança??? com tantos flatescrins, ipad, telemóveis à venda nos shoppings?? voltaríamos aos gloriosos anos noventa!!!

Trabalho forçado para os desempregados?? se há trabalho útil para a sociedade deve ser remunerado, pelo preço do mercado.
Promover o arrendamento?? meu caro, isso devia ter sido há 20 anos.Agora é tarde, há casas a mais, a cair, abandonadas. É um mercado sem valor, por mais que as imobiliárias sonhem com condomínios de luxo.

Porfirio Silva disse...

Rodriguinhos com o Anónimo! Está a melhorar: usualmente dizem que eu sou bruto, agora fui promovido a tecelão de rodriguinhos! :-))

By the way, os anónimos que me fazem o gosto de passar por aqui podiam arranjar avatares, para podermos estruturar a conversa. É que analisar os IPs para gerir uma conversa é um aborrecimento.

Saudações.