23/03/11

a mais recente contribuição de Manuela Ferreira Leite para a teoria política pós-moderna


Passos Coelho tem um programa eleitoral, apresentado por via oral deste modo: «Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.» Foi isso que disse Cavaco Silva na tomada de posse como PR, é isso que diz PPC às segundas, quartas e sextas. Esse programa eleitoral será substituído na primeira oportunidade exactamente pelo seu contrário, por um vendaval de destruição do Estado e entrega dos bons negócios aos privados, rendendo algum dinheiro no curto prazo e empobrecendo ainda mais o país quando se tornar evidente que o interesse comum não é o somatório dos interesses das empresas privadas. A questão é saber como vai o PSD fazer a transição do programa eleitoral para o programa de um eventual governo Passos Coelho. Aí entra a mais recente contribuição de Manuela Ferreira Leite para a teoria política pós-moderna.
Hoje, no Parlamento, questionada sobre as alternativas (o projecto de resolução do PSD era o único que tinha uma alínea para rejeitar a proposta do governo, mas não tinha nenhuma alínea sobre a alternativa), Manuela Ferreira Leite respondeu: "Não quis entrar em politiquices, por isso não falei de medidas concretas." É essa a receita: "política de verdade", nada de politiquices, o PSD está contra mas não vai agora andar a discutir medidas alternativas. Era o que mais faltava. Esperem que logo verão.
De momento, essa conversa já convenceu as direcções partidárias do CDS, PCP, Verdes e BE, que votaram o projecto do PSD que consagra essa ideia de que "medidas alternativas é politiquice".

8 comentários:

José Teles disse...

A solução para a crise é o regresso ao velho Smith: "Enriquecei-vos!". Ou com os apoios que agora tem o PSD uma ligeira adaptação do Che Guevara: Criar dois, três, muitos BPN's. Vais ver.

MFerrer disse...

Foi apenas "her master's voice"
Um acto freudiano!
è que realmente eles não sabem o que fazer quando aterrarem desta "trip"
A ressaca vai ser terrível!
Apareça Porfírio!

ana disse...

Meus senhores, a Dra MFL tem um perfil autoritário e impopular, profunda inabilidade política, discurso nada eloquente, faz muitas gafes como esta, já sabemos, mas, falou verdade nas ultimas eleições, advertiu...agora merecia a sua "revenge". Qto a exigirmos que a oposição apresente já medidas de governo alternativas não é justo, já q tem q haver uma qq coligação, compromissos, acordos, avaliar a situação herdada com dados estats correctos, etc...
Ana S Bravo

Porfirio Silva disse...

Cara Ana,
A sua opinião é que a MFL merecia uma vingança. É uma opinião. A minha opinião é que cavar uma crise por vingança é inaceitável.
A sua opinião é que a oposição tem ainda que pensar na alternativa. Não percebo: queixam-se de que o PS esteve muito tempo no governo. Ora, esse foi todo o tempo que a oposição teve para se preparar. Mas, afinal, não, andaram a fazer outras coisas.
Da última vez, com estas brincadeiras acabámos nas mãos de Santana Lopes, lembra-se?

Nuno disse...

Temo bem que Santana Lopes ao pé de um Steps Rabbit e de um Michael Grasses seja um génio da política! Espero que não tenhamos de assistir à prova que assim é!

Anónimo disse...

Não. Da última vez que brincámos com isto, acabámos com Sócrates. Santana Lopes era bem melhor (e honesto).

Bagonha disse...

O que nos vale é que há sempre um anónimo divertido, como o das 16,48, com uma piada engraçada para nos fazer rir. Quanto à Ana deve andar algo desatenta, talvez excessivamente eufórica, porque desde ontem que os passistas andam para aí a proclamar aos quatro ventos que vão fazer isto, que vão fazer aquilo, ou seja, já estão a celebrar, como se a vitória nas eleições, e com maioria absoluta, já estivesse no papo.
Como dizia o cego, a ver vamos. Pode ser que o ovo lhes saia choco. De qualquer modo, as medidas de governo alternativas serão apresentadas sim, mas pelo FMI. Demos pois graças a PPC e à sua troupe pela bordoada que aí vem.

Anónimo disse...

É o parágrafo do século:

Os socialistas gostam muito de bater nos fracos. Nos frágeis. É porque é fácil e é rápido.

E gostam muito de ajudar os amigos. Os amigos do partido ou os amigos de certos grupos e de certas empresas. São muito ávidos dessa ajuda e muito ávidos de bater
nos fracos.

A política chegou a um estado de quase indecência.

Portugal precisa de se defender é de José Sócrates.

Tudo frases de António Barreto.

http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/934646.html