04/02/11

pode ser preciso pensar radicalmente


O filósofo esloveno Slavoj Žižek fala - e uma animação ilustra-o.

Um convite a pensar radicalmente (ir à raiz das coisas).



7 comentários:

Ana Paula Sena disse...

Porfírio, a mim pareceu-me radicalmente bom e sem caridadezinhas hipócritas.

Porfirio Silva disse...

Concordo, Ana Paula. Ah, é que se tivesse qualquer coisa mais hipócrita, eu não divulgaria, bem entendido ;-)

Vega9000 disse...

Começa bem, a ideia de comprar a redenção é interessante, depois descamba para o total disparate. Muito na linha do "Não! Ou os trabalhadores Paquistaneses têm as mesmas condições de trabalho dos Suecos, ou não queremos lá fábricas Suecas!" Claro que, soluções alternativas, 'tá quieto, não é?
Mas é interessante, e a animação é excelente.
PS - Há quantos anos andam os pensadores de esquerda a prever o fim do capitalismo, devido a, bem, qualquer coisa? Estará próximo, ou ainda não é nesta crise? É resiliente, o bicho...

Porfirio Silva disse...

Vega9000,
Não faço essa leitura da palestra. Há lá pequenos detalhes que me fazem cócegas, mas penso que a mensagem fundamental é certa: não atacamos certos problemas com aspirinas. Não por as aspirinas não serem eficazes, mas por prolongarem a doença que supostamente atacam.

Na sua observação final há um elemento que me incomoda: é a ideia de que o capitalismo tem os seus problemas mas sobrevive sempre e parece que a esquerda ainda não se rendeu a esse facto.

Isso incomoda-me por duas razões. Primeira, não sou anticapitalista no sentido de andar à procura do "socialismo na terra". Segunda, não me conformo e não me rendo.

Por quê? Por que há muitos capitalismos, não há só um. Não é precisa nenhuma retórica anticapitalista para perceber que muitas coisas são mais injustas do que era preciso e são mais ineficientes do que era preciso. Claro que algum anticapitalismo apenas esconde totalitarismo e utopismo agressivo. Mas é só algum. E isso não é boa desculpa para nos quererem impingir a ideia de que não é possível questionar o capitalismo. É possível, é necessário - e, para isso, é preciso perceber que as nossas boas-vontades podem ser a tal aspirina que só prolonga a doença, como nos alerta o Zezek.

Digo eu.

Porfirio Silva disse...

Claro que não é Zezek, mas Žižek ...

Vega9000 disse...

(Desculpe a demora, tinha que ver o vídeo outra vez e falta-me tempo.)

Caro Porfírio, é precisamente nesse ponto, a "cura", que isto começa a descambar. A caridade não oferece soluções nem curas. Não é suposto. Serve, isso sim, para impedir que o paciente morra durante o processo de cura, seja ele qual for. E é aí que discordo frontalmente com o Žižek, que parece ver na caridade um sintoma de qualquer coisa de errado com o capitalismo. Não é. É um sistema paralelo.

No que diz respeito à minha provocação sobre o capitalismo, point taken. Mas uma observação porém: o capitalismo é uma besta poderosa, que funciona conforme as condições no terreno, e evolui a partir daí. Não concordo consigo no ponto de haver vários capitalismos. Há apenas um, com vários estados de desenvolvimento. O capitalismo primário, tipo chinês, é ao mesmo tempo brutalmente desumano e injusto,mas terrivelmente eficaz em criar as bases para a sua própria evolução: uma economia florescente. Que é o que vê agora. Uma ou duas gerações, e estamos a invejar o nível de vida dos chineses, construído a partir dos suor e sangue dos seus avós. Tal como na Suécia.

Porfirio Silva disse...

Pontos interessantes, ambos.

Primeiro ponto, a caridade. Vejo um papel para a caridade no mundo. Mas ela não deve ser "um sistema". O capitalismo é um sistema de organização social, a caridade (a existir) uma prática de relação interpessoal que deve permanecer fora dos cálculos do funcionamento do sistema.

Segundo ponto, acho que há vários capitalismos (o mecanismo básico pode ser posto a funcionar de maneiras diferentes), não apenas diferentes estádios de desenvolvimento. E isto por uma razão fundamental: há opções extra-económicas (morais, por exemplo) que fazem a diferença de uma sociedade para outra, mesmo que partilhem o "sistema de livre empresa". Se fosse apenas uma questão de etapa, cada país (ou região) passaria inexoravelmente de uma etapa para outra. Ora, para essa "história" dos "estádios" já me chegou a conversa da passagem da fase da revolução democrática nacional para o socialismo, e a passagem do socialismo ao comunismo...