06/01/11

sugestões aos candidatos


Ainda acho que o conceito de "magistratura de influência" é válido para referir aquilo que um PR pode fazer legitimamente: suscitar questões pertinentes e levar a pensar nelas, sem extravasar das suas competências, sem se meter na luta estritamente partidária, sem ceder à tentação executiva. A qualidade da influência dependerá da relevância das questões suscitadas e da inteligência na escolha dos interlocutores.
Atrevo-me a sugerir que o tema do diálogo social merecia ser uma dessas questões. Como tornar mais concreto o diálogo entre empregadores e trabalhadores, a todos os níveis, incluindo ao nível de empresa (contra os "dogmas sindicais" de que só a negociação centralizada pode ser equilibrada). Como melhorar a partilha das responsabilidades, do esforço e da recompensa. Como aliar aumento da produtividade com aumento do respeito pela dignidade da pessoa. Como conjugar melhor os direitos dos que "estão dentro" (empregados) e os direitos dos que "estão fora" (desempregados). Como alargar à vida interna das empresas (de todas as empresas) os conceitos de democracia e de participação. Tudo isso sem interferência nos temas que concretamente estejam em concertação social, nas estruturas oficiais para tal em funcionamento. Mas agindo no sentido de uma mudança de cultura. E sem um tão manifesto desequilíbrio entre a escuta das diferentes vozes - viram a contagem das vezes que Cavaco Silva ouviu os patrões e das vezes que ouviu os sindicalistas?
Por que não trazer esse tema para a campanha?

1 comentário:

rauau disse...

Não é sobre a trapalhada que se adensa em torno da falta de transparência das questÕes políticas, que são a face visível do estranho estado de " chico espertimo", tolerado e incentivado pela sociedade em geral, mas da gentileza de me ter colocado sob "observação". Muito obrigado.