31/12/10

a luz dos olhos teus


Estou de luto.
E não sei rezar. Nem quero, além do mais.
É uma merda, essa é que é essa.
O olho do homem quebrou-se.
E a impotência face à fragilidade é o pão nosso de cada dia.
Não acredito no destino, não praguejo contra os deuses, mas acredito que a porra da genética e um bocado de azar fazem pão amargo.
Não, não morreu ninguém. Quer dizer, este desabafo não é sobre uma morte. Mas morremos um pouco cada vez que sentimos as mãos atadas. E nem sequer se aplica aqui uma consideração sobre a injustiça, porque a injustiça é a má distribuição da justiça e, aqui, não há nada disso: apenas o mundo que gira, os animais (humanos) que são mais difíceis de reparar que os carros de brinquedo (mesmo que sejam de bombeiros de brincar), e uma pontaria excessiva que a vida nos faz aos tomates.
É uma gaita.
Claro que vos desejo um bom 2011. Por que não haveria de o desejar? Não tenho ódios, apesar de às vezes ter lamentos.

























Uma luz sobre um pormenor de uma tinta-da-china de Adriana Molder.
(Foto de Porfírio Silva)


8 comentários:

CF disse...

Caro Porfirio, não me vou apoderar das tuas palavras, que nem sou disso. Ainda assim, e se mo permitires, partilho-as. Assino-as em baixo, por assim dizer. Um bom 2011. E que para o ano, por esta hora, o luto nos tenha deixado :)

Porfirio Silva disse...

Pois é, CF, a chatice é que isto que escrevo não é literatura, nem é uma generalidade. É sobre uma pessoa concreta, um amigo concreto.

Anónimo disse...

Se o problema é não saber razar,... eu ensino-o se quiser. Não é dificil... basta fechar os ohos e ouvir o coração.... em silênciao, claro está.
Bom Ano Novo.

mdsol disse...

Um ano bom, apesar de ...

:)

Rosa Oliveira disse...

Bom ano, caríssimo.

António Souto disse...

A "morte" dos outros, daqueles que nos são verdadeiramente próximos, parece matar-nos igualmente um pouco, sobretudo porque nos vai ficando ela cada vez mais próxima também, ou nós dela... Ou será que isto é só porque estamos mais velhos?
Que merda de vida!...
Apesar de tudo, Bom ano, e um abraço amigo e reconfortante.

Porfirio Silva disse...

Um abraço de um Amigo é sempre reconfortante, António. E de um "velho" amigo, como tu, nem se fala.
Que 2011 não nos leve a melhor!

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Bom ano, Porfírio.