06/10/10

um estilo Seguro


António José Seguro: portugueses “estão fartos de fazerem sacrifícios sem ver resultados". Para o presidente da comissão de assuntos económicos na Assembleia da República é “inaceitável que quando se pedem sacrifícios aos portugueses, não sejam todos, em particular aqueles que mais têm, a darem esse exemplo e a fazerem mais sacrifícios”.

Na verdade, não me parece que estas palavras sejam justas se pretendem traduzir uma apreciação global dos governos de José Sócrates. De qualquer modo, quanto a aspectos importantes dos "pacotes anti-crise", temo que Seguro tenha razão. Só espero (enquanto não desespero) que Seguro faça, dentro do seu partido e do seu grupo parlamentar, o que se exige a quem tem as suas responsabilidades: que apresente as propostas concretas que traduzam adequadamente as suas palavras. Sim, porque isto não vai lá com ideias gerais. Para "ideias gerais" já nos tem bastado Passos Coelho. Vá lá, camarada Seguro, não se abre a boca, numa altura destas, só para mandar umas bocas. Ser concreto, claro, rigoroso - será um contributo inestimável para o debate necessário. Menos do que isso (vagas sugestões), seria pura irresponsabilidade ou oportunismo, coisa que não posso acreditar que seja o estilo Seguro.

2 comentários:

T.Mike (Miguel Gomes Coelho) disse...

Pois,muito bem!
O que mais me encanitou foi uns recem passistas que eu conheço terem vindo logo a terreiro a aproveitar as "dicas" e a chamar carneirada a quem "apoia" o Engº.
Por isso fiz alusão ao facto do Seguro não fazer alusões às medidas tomadas. Parece que globalmente deve estar de acordo. Não será?
Um abraço.

Porfirio Silva disse...

Um problema da política portuguesa é que só se mandam recados, meias palavras - quando precisamos de debate, propostas em cima da mesa, confronto de possibilidades. Mesmo dentro de cada partido isto é necessário. Espero de gente responsável que saiba fazer melhor.
Outro problema (do debate interpartidário) é o preso por ter cão e preso por não ter: se estão todos de acordo, é unanimismo; se há debate, é fractura.
Poderemos fugir a estes problemas? Espero que sim.
Abraço.