14/10/10

a morte anunciada de um Pacto


UGT diz que “Pacto para o Emprego morreu”.

Há coisas assim na linguagem dos humanos: se a UGT diz que morreu, morreu mesmo. Quando eu digo "está a chover", isto pode ser verdade ou ser mentira - e o que acontece na realidade não depende em nada do que eu digo. Mas, em certos casos, "dizer é fazer": num casamento, é a palavra do oficiante (se for legítimo e se tiverem sido respeitadas certas condições) que "produz" o casamento. "Declaro-vos marido e mulher" - e lá estão eles marido e mulher. É de género comparável este caso: não há Pacto para o Emprego que se salve quando as partes o declaram morto. Tenho disso muita pena, por razões que já expliquei várias vezes. Aqui, por exemplo, logo em Outubro de 2009.
Isto não quer dizer que eu concorde com tudo o que a UGT dá como razões. Nem quer dizer que a culpa seja da UGT. É mais culpa da generalizada incompreensão de quão necessários são acordos tripartidos sobre matérias estruturantes com alcance temporal alargado, que não estejam sempre a ser revistos em função da conjuntura. E da falta de cuidado para não matar essas plantinhas frágeis que são os poucos resultados da concertação social.
Claro, levantar-se-ão vozes contra o "radicalismo" da UGT. Se a minha voz bradasse aos céus, acontecer-me-ia o mesmo. Mas não brada.

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