17/10/10

as crises têm dono


Em parte, os "donos das crises" são os economistas com a cabeça cheia de modelos que nada têm a ver com a realidade deste mundo - mas que, infelizmente, influenciam os que governam precisamente, não Marte, não Júpiter, não a Lua, mas a Terra. Sim, esta Terra onde vivemos e que eles infernizam com as suas teorias irrealistas. Irrealismo que serve para justificar políticas erradas (mirabolantes), de cujos erros eles nunca pagam as consequências.
Exemplo? A última fornada de prémios Nobel da Economia.
Leia-se Nuno Teles, no Ladrões de Bicicletas:
Para uma análise crítica do prémio mais vale dar a palavra a quem, muito melhor do que eu, conhece o trabalho dos três economistas. Dois bons artigos. O primeiro, de Yanis Varoufikis, começa eloquentemente da seguinte forma: “Imaginem um mundo devastado pela peste e suponham que o Prémio Nobel desse ano é atribuído a investigadores cuja carreira foi baseada no pressuposto de que as pestes são impossíveis. O mundo ficaria revoltado. Assim nos deveríamos sentir relativamente ao anúncio do Prémio Nobel de ontem.” O segundo artigo, de William Mitchell, é um brilhante ataque teórico, arrasador do trabalho galardoado. Não resisto a mais uma citação: “A realidade é que as maiores contribuições deste trio são a de que o desemprego de massas não existe e que o desemprego é, sobretudo, voluntário ou resultado de políticas demasiado generosas de governos “mal aconselhados”.
Texto na íntegra aqui.

2 comentários:

Vega9000 disse...

Os donos desta crise têm nome, todos americanos, todos Republicanos:

- Senador Phil Graham, do Texas
- Congressista Jim Leach, do Iowa
- Congressista Thomas Bliley, da Virginia

São os três que criaram o Gramm–Leach–Bliley Act, que veio desregular a actividade de Bancos de investimento, Seguradoras e instituições financeiras, e a gigantesca bolha que se formou a partir daí.

O resto são consequências.

Zuruspa disse...

Claro.
Se os governos fossem "bem aconselhados" forçavam esse bando de madraços a trabalhar, e no máximo oferecer-lhes-ia a roulote onde morariam, enquanto percorressem o país a trabalhar onde fosse preciso!

Vá para fora cá dentro!

...

O Comité Nobel começa a dar demasiados tiros no pé... vejam bem que é no auge da contestaçäo às austeridades (também nos EUA, que pensam?) que premeiam quem repete a ladainha do "só é desempregado quem quer"...