09/09/10

Queiroz e companhia: uma história portuguesa


Selecção: FPF anuncia saída de Carlos Queiroz.

Não percebo nada de futebol. Muito menos da sua organização. Não faço ideia quem borrou a pintura no caso da nossa participação no mundial da África do Sul. Mas esta história, na aparência distante que dela tenho, parece-me demasiado portuguesa. Um seleccionador que dizem falar de uma maneira que os jogadores não percebiam no balneário. Uns jogadores que ganham demasiado dinheiro para se estarem a maçar com os pequenos orgulhos de um país que só se lembra de orgulhos quando alguém pode jogar por ele (país): é para isso que existe uma selecção, para eles jogarem enquanto nós nos refastelamos nos sofás. Um país que acha ter direito a ganhar tudo o que haja para ganhar ao melhor nível, mesmo que ainda há poucos anos estivesse habituado a nem lá pôr os pés. Uma "camada dirigente" que sacode o capote com grande agitação quando a coisa não brilha tanto como a ambição ditava. Uma malta que assina contratos milionários para o caso de o senhor X ser posto na rua por indecente e má figura - mas que depois acha caro quando chega a altura de pagar. Umas pessoas que tratam das coisas sérias da medicina desportiva, mas que guardam as broncas para depois da festa. Uns dirigentes tratados por professores e tudo, mas que mandam os tais médicos à outra parte e acham que eles se ofendem por falta de tradução simultânea. Um ou outro membro do governo que aparece misturado com a "justiça desportiva" e não se percebe bem por que carga de água tal deva ser o caso. E, de caminho, a história a fazer-se: no "campo de batalha" vamos perdendo pontos, não vamos deixar por mãos alheias os nossos pergaminhos de sermos os melhores dos nossos próprios inimigos. Isto deve dar razão à malta que defende a liberalização dos despedimentos: atrás do seleccionador nacional, podiam ir mais uns tantos que não fazia mal nenhum. Só que, nesse caso, com tanta limpeza isto já não seria propriamente uma história portuguesa. O que seria, claro, uma grande pena.

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