23/09/10

por qual razão certa imprensa se acha no direito de mentir descara e propositadamente, só para fornececer notícias mais picantes?



O Diário de Notícias coloca esta "notícia" na sua primeira página e dá-lhe desenvolvimento no interior. A notícia é falsa. Para saber que a notícia é falsa bastaria saber quais são as competências dos diferentes comissários europeus e o que têm andado eles a fazer. O Comissário Janusz Lewandoski vem a Portugal para discutir as perspectivas financeiras da União Europeia pós-2013, e não o orçamento português (isso não é da sua competência). Lewandoski anda num tour des capitales (esteve recentemente na Lituânia e em França) para tratar do que lhe compete - e não do que inventam os jornalistas. A análise dos orçamentos nacionais dos Estados-membros compete a outro Comissário europeu, o dos assuntos económicos e monetários, Olli Rehn. Tudo isto um jornal "sério" tinha obrigação de saber - para não tentar enganar os seus leitores.
Se, além disso, o jornal tiver sido avisado previamente de que era falsa a informação que se preparava para publicar, tendo-a mesmo assim publicado, temos um acto de deliberada mentira ao público. Cremos ter elementos para ajuizar que foi isso mesmo que aconteceu. O que representa uma completa falta de respeito pelos leitores. Mas, claro, continua a haver quem entenda que "liberdade de imprensa" equivale a "deixa-os dizer tudo o que lhes passe pela cabeça".
Ainda se queixam dos blogues...


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