10/09/10

o soviete da justiça


PGR deve ser eleito pelos magistrados.
Continua o Público: «"À mulher de César não basta ser séria, tem que parecê-lo”, sintetiza Franclim Ferreira [da Associação Justiça para Todos], sugerindo que o PGR fosse escolhido por votação pelos magistrados do Ministério Público.»

Quando as sentenças e os acórdãos, ou até os despachos nos processos, não vão no sentido que "as pessoas" esperam, inventa-se todo o tipo de disparates para incendiar a pradaria. A visão do Estado como associação de bairro parece ser, para os bem intencionados, uma ficção razoável. Que cada turma eleja o seu cacique é o mais que aguenta esta simplória visão do mundo. Os polícias deveriam, pois, eleger os seus comandantes; os funcionários públicos deveriam talvez eleger os ministros; não sei se também os enfermeiros deveriam eleger os médicos. Claro que, a estas cabeças, não lhes passa pela ideia que um vício terrível de muitas organizações consiste, precisamente, em que quem dirige depende de quem é dirigido, assim se anulando a função de dirigir, tornando-a refém das circunstâncias. Mas isso é teoria política altamente abstracta para gente que gostaria de gerir o mundo com quem gere um jogo de sueca, com as mesmas ferramentas conceptuais.

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