01/06/10

ciência (e) política



Passo a citar:
Michael Lind, um cientista político da New American Foundation, afirma, muito a propósito:
Um amigo meu que faz criação de cães conta-me que não se consegue compreender aqueles animais a menos que se tenha meia dúzia ou mais. O comportamento dos cães, quando reunidos em número suficiente, é sujeito a uma alteração espantosa. Formam instintivamente uma matilha disciplinada. Os filósofos políticos tradicionais têm estado na posição de estudantes do comportamento canino que observaram apenas cães domésticos individuais.
Está na altura de começarmos a estudar a matilha.
Philip Ball, Massa Crítica, Gradiva, p. 394

3 comentários:

Ruaz disse...

Sabes que a manifestação dos genes que fazem um cão ser "alfa" ou "gama" se revela logo que dois cães se juntam. É fácil ver que uns se sentem bem como dominantes , outros como submissos. Com a espécie humana não é bem assim, seria becessário "um admirável mundo novo".

Anónimo disse...

Porfírio, desde que depois não se fique na posição de um estudante do comportamento dos cães que só tenha observado matilhas... ou o comportamento do cão (ou da pessoa) individualmente não contribui de todo para o conhecimento daquilo que ele é?

E até creio que a observação é algo injusta: a ciência política é já desde há algum tempo cada vez mais "quantitativa", como os politólogos gostam de dizer. Admito que posso não estar a ver bem o que significa estudar pessoas como matilha.

Abraço

Miguel Raimundo

Porfirio Silva disse...

Obrigado a ambos pelos comentários.
Acho que a citação chama a atenção para um aspecto interessante, que é verdade em animais não humanos, mas também em humanos: o comportamento colectivo não é apenas um "composto" de comportamentos individuais. Entretanto, é verdade que há abordagens que têm isso em conta - embora, infelizmete, essas abordagens nem sempre passem de fantasias de um género fisicalista. Mas voltarei a isto noutra ocasião.