08/06/10

ai a crise


João Pinto e Castro, no jugular:
O endividamento público é, apesar de tudo, o único que se sabe como estancar. Já quanto ao privado, o dos particulares e das empresas, o maior e aquele que mais tem crescido nos últimos anos, ninguém faz a mínima ideia sobre o que deve ser feito.
A receita da maioria dos comentadores tem sido alinhar na farsa de que a culpa é do Estado. Aliás, em consonância com a moda de infantilizar os portugueses: dizer-lhes o que eles querem ouvir e apenas isso. Pena que não se lembrem mais vezes de certas declarações de Álvaro Cunhal.

5 comentários:

yoda disse...

Não se pode comparar dívida pública com dívida privada. Nenhuma empresa sobrevive a um crescimento exponencial da dívida (como se pode ver em http://bit.ly/cNQSFU ) nem a um regime permanente de déficit (quando teve Portugal superavit pela última vez?). Dir-se-ia que os objectivos estratégicos de um governo são diferentes do de uma empresa privada. Precisamente!

Portugal (e outros países) têm deficit todos os anos -- as receitas não chegam para pagar as despesas -- e onde vai buscar o dinheiro? Antigamente havia a moeda. Hoje tem que se recorrer a dívida. Acresce que o crescimento da despesa continua muito acima do crescimento do PIB (e logo da receita).

Se uma empresa acumulasse prejuízo vários anos, teria de fechar. Se uma empresa tivesse um volume de dívida superior aos activos, seria declarada insolvente e estaria em maus lençois. É uma realidade completamente diferente do de o estado.

E quanto a se saber como reduzir a dívida pública, acho que é uma afirmação a carecer de prova, pelo menos em Portugal (ver gráfico acima mencionado).

Porfirio Silva disse...

Rodrigo,
Acho que não percebeste nada do que diz o post, que é essencialmente isto: o que toca ao Estado, o próprio Estado pode tentar fazer de uma ou outra maneira. Já, numa sociedade de tipo ocidental, é difícil induzir certos comportamentos privados (das pessoas ou dos bancos, por exemplo), quando o que se quer induzir é contrário aos "estímulos do mercado". Se seguisses os conselhos do teu PR, p.ex., não devias ter comprado o iPhone, mas nem pensaste nisso, não é?
Por outro lado, fazes uma grande baralhação entre dívida pública e dívida privada, sendo que, no caso português, ao contrário p. ex. do caso grego, o problema é a dívida gerada pelas famílias e pelos bancos para emprestar às famílias. É mais um caso em que se nota a inconsciência de que comportamentos privados agregados têm um efeito que sentimos todos, colectivamente, e não apenas cada indivíduo em consequência dos seus actos.
A mistura da questão do défice com a questão da dívida é mais uma do cocktail de misturadas. Terá o gráfico sido feito com base em todas estas misturadas?

yoda disse...

Bom, se tivesses visto o gráfico em vez de teres ficado enredado em imaginadas (por ti) cores partidárias de quem te comentou, talvez tivesses percebido da inutilidade das duas perguntas (de retórica?) que fizeste :P

Porfirio Silva disse...

Rodrigo, não me julgues por ti. Vi o gráfico e mantenho o que disse. Se leres o que escrevi, claro, o que tornaria simples perceber o que quero dizer. Esta conversa é em comentário a um post que eu coloquei e insisto que, se julgas que o teu gráfico responde ao meu post, é porque não percebeste nada do post. Basta ler, em vez de insultar: o que é que as cores partidárias têm a ver com o facto de tu quereres comentar sem ler? By the way: o gráfico é, tecnicamente, uma nulidade: nem sequer menciona conceitos, nem fontes, nem nada.

Porfirio Silva disse...

Já agora, Rodrigo, seria simpático que "colocasses" gráficos que pudessem ser vistos por quem não seja "aderente" do Facebook.