12/06/10

25 anos da assinatura


Sócrates diz que resposta europeia à crise é “condição indispensável do futuro da integração".

Hoje comemoram-se 25 anos da assinatura do tratado de adesão de Portugal (e Espanha) à União Europeia, então CEE. José Sócrates lembrou ontem os que, na altura, duvidavam desse passo. Eram muitos, para dizer a verdade. Pelo menos no início do processo, muitos aconselharam Mário Soares a não fazer o pedido de adesão. Entre esses, estivessem certos ou errados, primavam opiniões políticas e económicas de fundo, ligadas à avaliação que faziam do interesse nacional. Respeitável. Mas também houve quem, à última da hora, e por questões de puro jogo partidário, tivesse tentado boicotar a assinatura.

Na entrevista biográfica que Maria João Avillez fez a Mário Soares, em três volumes, pode ler-se no volume intitulado Democracia (1996), na parte respeitante às consequências da chegada de Cavaco Silva à presidência do PSD, (p. 251 e seguintes):

Maria João Avillez - A própria assinatura do Tratado de Adesão de Portugal às Comunidades ficou tremida. O PSD ameaçou que não assinava. Como reagiu?

Mário Soares - Para além de pretenderem estragar-me a festa (o que admito poder considerar-se uma reacção natural), tiveram um comportamento mais grave: puseram em risco, por questões estritamente partidárias, o interesse nacional. A entrada de Portugal no Mercado Comum - como depois reconheceram, amplamente - significava, sem sombra de dúvida, a defesa estrita desse interesse nacional. Deveria ter sido colocado acima de todas as outras preocupações. Não o foi! Nas vésperas, ainda não se sabia se o assinavam ou não! Foi preciso fazer uma cedência de última hora, ridícula, que não tinha qualquer razão de ser: aceitar que Rui Machete, na altura Vice-Primeiro-ministro, assinasse também. Quem negociara tudo, no meu Governo, fora uma equipa coesa constituída pelo Ministro das Finanças, Ernâni Lopes, por Jaime Gama, titular dos Negócios Estrangeiros, e, finalmente, António Marta. Eram estes que deviam, portanto, assinar comigo. Segundo as regras da CEE, por Portugal só poderiam figurar quatro assinaturas, no máximo. Assim, para meter Rui Machete, foi necessário eliminar António Marta, o que considerei uma injustiça. (...)
Convém lembrar.

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