07/05/10

rotativismo, foi o que disse?

Cameron ganha em votos mas sem maioria parlamentar. (Público)

Parece que os Conservadores ganharam no Reino Unido. Acho que já toda a gente percebeu que os Trabalhistas, tendo feito coisas muito boas em muitos domínios, fizeram coisas que muitos dos seus potenciais apoiantes abominaram. Com razão. Em política internacional, por exemplo. Mas o fenómeno tem outra dimensão.
A mudança de pessoal político é necessária, de tempos a tempos, mesmo que os do momento estejam a fazer tudo certo. É uma questão de higiene. Rodar é preciso. Mesmo quando cabe aos "nossos" perder. Essa é a razão pela qual é bom que haja "partidos centrais", que permitam mudar de pessoal sem mudar radicalmente de política. É que, de outro modo, nós, os eleitores, ficaríamos sob chantagem: eternizamos os mesmos, ou mudamos para uma coisa tão tão diferente do que queremos que isso nos seja insuportável? 
Com os "centrões", já se sabe, está na moda dizer, pode acontecer que só mudem as moscas. O que já não está tão na moda é dizer que isso pode ser útil à saúde do sistema político. Não há complicações? Claro que há: se o centrão for tão cinzento que não proporcione escolha suficiente, isso pode encerrar o sistema numa pescadinha de rabo na boca. É um perigo real. Só que, mesmo assim, não podemos perder de vista o interesse intrínseco da possibilidade de mudar de pessoal político com alguma tranquilidade.
Também assim em Portugal. É claro que um governo do PS não pode durar a vida toda, tenha ele feito melhor ou pior. E ainda bem. Ou há por aí alguém que pense que temos ilusões sobre isso? Claro, arriscamos perder o nosso tacho, que é um "argumento" que usam alguns blogosféricos quando não se lhes ocorre nada mais inteligente. (Não faço links, por serem chusma.)

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