08/05/10

Passos que Coelho dá


«(...) Passos Coelho disse que o primeiro-ministro lhe “telefonou” para dizer que “precisava do apoio do principal partido da oposição para ser mais ambicioso no plano que vai defender em Bruxelas e que vai ter que executar em Portugal para que o défice recue mais depressa”. “Eu quero dizer-vos o que lhe disse a ele: nós ajudamos Portugal a reequilibrar as suas finanças, mas o Governo não pode pedir, num dia, ao PSD ajuda para reequilibrar as finanças do país e, no outro dia, pedir ao Bloco de Esquerda para que desequilibre as finanças do país, fazendo passar projectos que não têm viabilidade em Portugal”, afirmou.» (Público)

A questão pode estar colocada de forma simplista, mas é uma questão central para quem se interessa pela governabilidade. Como temos escrito. Lembro de novo o que escrevi em 16 de Dezembro de 2009:

«O PS tem de escolher para que lado quer que o vento sopre. O PS tem de desafiar, ou os partidos à sua esquerda, ou o PSD, para uma base política sólida e coerente para a governação. Se quiser desafiar o PSD, está a tempo de determinar o essencial do debate que os social-democratas terão de travar proximamente. Se quiser desafiar as outras esquerdas, terá oportunidade de voltar a mostrar o que entende por esquerda moderna. O PS tem de propor um rumo político ao país que responda à realidade da sua força parlamentar: não pode é continuar a ser o espelho da coligação negativa. Até porque, finalmente, o eleitorado fará dele o principal culpado se o actual jogo do empurra conduzir a uma crise que o país não pode desejar neste momento.» (a coligação negativa e o seu espelho)

Isto não é defender que o PS se vire para leste ou para oeste. É defender que se defina.

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