24/05/10

a natureza do escorpião e as PPP


Portugal é o país da UE que mais recorreu a contratos de Parcerias Público-Privadas. (Público)

Agora toda a gente vê grandes defeitos nas PPP. Cabe lembrar que elas fizeram furor entre nós no âmbito de um endeusamento do privado em confronto com o público. Era preciso meter privados em tudo para aumentar a racionalidade de tudo, porque supostamente tudo em que o Estado se metia acabava mal, era mal gerido e aplicava mal os nossos dinheiros. Agora, que está claro que a harmonização entre o interesse público e o interesse privado não é automática, dá trabalho, custa dinheiro e implica riscos, fazem (alguns) de conta que isto é um problema gestionário. Não é. É político. É político, porque não podemos gastar o que não temos à pala de atirar a factura para a frente. É político, porque não é possível reduzir a complexidade do mundo a uma tabela Excel. Nem mesmo a um contrato de parceria, quando nessa parceria os interesses públicos são colocados no mesmo plano do lucro empresarial. (Isto não é condenar as empresas nem o lucro: é defender que essa realidade deve estar num plano diferente do interesse público.)
No caso do escorpião, a explicação estava na sua natureza. Mas em democracia, quando os dogmas da economia dominante passam por realidades, o problema não é da natureza. É da ideologia.

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