04/05/10

mandriões, é o que é


Nos idos de Janeiro de 2004 comecei uma colaboração regular na EIFFEL, Revista de Educação da Cooptécnica Gustave Eiffel. Dessa já distante coluna recorto o seguinte:

«Começo com uma nota pessoal. A necessidade e a circunstância fizeram com que comprasse no estrangeiro um aparelho de uma conhecida marca internacional, que garante assistência técnica em muitos países à volta do mundo. Regressado, contactei o representante da marca para adquirir um serviço básico para o uso do aparelho: a instalação. Esclareci que até nem tinha pressa, podia esperar por uma data que lhes fosse conveniente, mas que não podia ficar dias atrás de dias em casa à espera da equipa de instalação. Disseram que sim e marcaram para uma quinta-feira, sem hora prevista. Não vieram e, quando telefonei (ao fim do dia, insistindo que podia esperar para uma altura em que não tivessem dificuldades em fazer uma marcação firme), pediram desculpa e marcaram para o dia imediato, sexta-feira. Voltaram a não aparecer. Repetiu-se a cena. Marcaram para a segunda-feira seguinte – lá aparecem. Os que apareceram eram óptimos: competentes e simpáticos, mas... ao terceiro dia. Estamos claramente perante um caso de um mau serviço prestado ao cliente. De quem foi a culpa: dos técnicos que vieram a minha casa e fizeram um excelente trabalho? Não. A culpa foi do chefe, a quem coube a distribuição do serviço. Todos nós já experimentámos casos similares. Ora, competitividade também é menos disto.
(...)
Quando se ouve o ex-Reitor da Universidade do Porto, Prof. Alberto Amaral, lembrar (há pouco tempo, na TV) que em Portugal a qualificação média dos empresários é inferior à qualificação média dos trabalhadores, pensamos: afinal ainda há quem perceba onde estão os problemas. Apesar disso, continua a haver no nosso país quem pense que o problema da competitividade tem um culpado único e bem identificado: os trabalhadores por conta de outrem.»

Lembrei-me disto por causa disto (apanhado aqui):

Número médio de horas de trabalho anual por trabalhador (2008) - OCDE

No  Ladrões de Bicicletas andam vários apontamentos úteis para ler a actual crise.

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